O princípio de banhar a correia dentada no óleo visava reduzir ruídos e atrito, mas resultou em falhas sistêmicas. Com o tempo e a contaminação do lubrificante, a borracha resseca e começa a esfarelar. Esses resíduos entopem os dutos de óleo, o filtro de admissão e componentes como a bomba de vácuo dos freios .
Correia banhada a óleo ressecada Reprodução/Internet
A Stellantis e a fornecedora Continental tentaram aplicar uma laca protetora na correia, mas o óleo continuou penetrando pelas laterais. A saída final foi adotar um componente mais reforçado e reduzir drasticamente o plano de manutenção. A troca, antes recomendada a cada seis anos ou 240.000 km, caiu para três anos ou 60.000 km.
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A manutenção exige a desmontagem de parte do motor e custa cerca de 800 euros (R$ 4.880 ao câmbio atual). Em resposta às críticas, a gestão de Filosa ampliou a garantia dos carros afetados para dez anos ou 175.000 km, além de criar uma plataforma para reembolsar os clientes que realizaram o conserto na rede oficial.
Peugeot 208 Peugeot/Divulgação
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O único carro a utilizar essa mecânica no mercado brasileiro foi o antigo Peugeot 208, equipado com o motor três cilindros 1.2 de 90 cv. Ao contrário do cenário europeu, a fabricante aplicou desde o início um plano de manutenção mais rigoroso para o Brasil, exigindo a substituição da correia a cada 80.000 km, prevenindo quebras crônicas. O hatch não usa mais esse motor, agora equipado com o 1.0 turbo da Fiat.
Situação um pouco diferente ocorreu recentemente com os motores três cilindros 1.0 turbo e 1.2 turbo da Chevrolet, que também adotam correia no óleo. A marca americana precisou substituir o componente original por um reforçado e ampliar a garantia devido ao uso de lubrificante incorreto fora da rede concessionária pelos proprietários.
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A solução para as novas gerações foi o abandono da tecnologia original . Desde 2022, os novos projetos do motor 1.2 adotam a tradicional corrente de comando metálica, padrão que já equipa os sistemas MHEV da empresa e os motores 1.0 e 1.3 GSE da Fiat e Jeep. Modelos dessas duas marcas, inclusive, escaparam da crise.
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A mudança técnica veio acompanhada de uma decisão de marketing: o nome PureTech foi abolido globalmente. Segundo Filosa, a fabricante montou cem salas de crise na França e na Itália para monitorar falhas antes da produção. A empresa indica que os problemas reportados caíram cerca de 30% desde o início do ano.

