Ele também criticou o senador e candidato à Presidência não eleito Flávio Bolsonaro (PL-RJ) –a quem chamou de “candidato da Faria Lima”– ao compartilhar a declaração nas suas redes sociais e escrever na legenda: “O tesouraço perdeu a eleição!” .
“Existem duas formas de você ajustar as contas. Uma delas é cortando no andar de cima, em privilégios. Outra delas é cortando no lombo do trabalhador. A que foi vitoriosa nas urnas, foi não cortar o lombo do trabalhador […] O ajuste tem que ser feito cortando em emenda parlamentar, que é o que o presidente Lula propôs fazer” .
Apesar de o ministro dizer que Lula propôs cortar o montante de emendas parlamentares, o governo federal inclui no PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) de 2027 um aumento de R$ 4 bilhões para emendas parlamentares individuais e de bancada com relação ao valor de 2026.
taxação de super-ricos
Boulos defendeu também uma maior taxação de super-ricos, afirmando que o sistema tributário brasileiro possui um “problema” de desbalanceamento entre a proporção de renda e pagamento de impostos.
Apesar de um aumento de tributação de super-ricos ter sido implementado em 2026, Lula ressaltou em seu plano de governo para 2027 a continuidade e ampliação do que chama de “justiça tributária” , ou seja, um aumento da medida.
Ao ser perguntado sobre Flávio, o ministro rejeitou qualquer possibilidade de “perseguição política” contra o senador . Para o ministro, Flávio está “com medo” de responder à Justiça agora que, com o final do seu mandato de senador em 2027, ficará sem cargo público político pela 1ª vez em 24 anos –e sem foro privilegiado.
“Ele pode dizer que é perseguição, mas vamos combinar: qualquer pessoa que faça um raciocínio sério, que não seja contaminado, sabe que o Flávio Bolsonaro passou os últimos 20 anos com foro privilegiado e, por isso, foi blindado e não foi investigado de várias coisas erradas que fez. Agora, como ficou sem cargo público, bateu medo nele” .
Boulos também criticou a ida do senador para o exterior depois de receber quase 60 milhões de votos no 2º turno, em 25 de outubro, afirmando que o comportamento de Flávio foi “vexatório” e “não é postura digna nem de um síndico de condomínio, quanto mais de um candidato a presidente da República” .
FUGA PARA OS EUA
Logo após a vitória de Lula no 2º turno das eleições presidenciais, a Polícia Federal solicitou a retenção dos passaportes do senador, pedido acatado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes , que também proibiu Flávio de sair do país.
Na 2ª feira (26.out), Flávio visitou seu pai em Brasília e foi intimado pela PF a entregar seus passaportes no prazo de 24 horas. Em resposta, publicou um vídeo criticando a decisão judicial, negando intenção de fugir e prometendo entregar os documentos –o que não foi feito.
Diante do descumprimento, a PF cancelou seus passaportes. Na 3ª feira (27.out), o senador cruzou a fronteira terrestre em direção à Argentina acompanhado de sua mulher e suas duas filhas. De lá, os 4 embarcaram em um voo privado rumo aos Estados Unidos –com breve parada no Equador–, desembarcando em Miami na manhã de 4ª feira (28.out).
Mesmo com os passaportes inválidos, Flávio entrou nos Estados Unidos e recebeu do governo Trump vistos de 1 ano para ficar no país.
O PT solicitou ao STF sua prisão preventiva e inclusão na lista vermelha da Interpol , mas, mesmo com o descumprimento da ordem judicial, não há pedido de prisão contra Flávio até o momento.

