Com direção de Travis Knight e roteiro de Chris Butler ( ParaNorman ), a animação é resultado de 16 anos de desenvolvimento e representa um encontro entre música, literatura e cinema. A conexão com o The Decemberists , aliás, vai além da origem da história: Ellis é responsável pela identidade visual da banda desde seus primeiros lançamentos, enquanto Meloy assina uma das canções inéditas presentes na trilha sonora do longa. Saiba mais a seguir:

The Decemberists: dos palcos às páginas de O Bosque Selvagem

A relação entre a banda e o filme não é de inspiração indireta. Livro e discografia nasceram das mesmas mãos, da mesma cidade e, em boa medida, da mesma floresta.

Meloy e Ellis se conheceram na Universidade de Montana, onde ela estudava pintura e chegou a desenhar cartazes para a banda que ele integrava na época. Em 2000, o músico deixou o Tarkio, mudou-se para Portland, no Oregon, e formou o The Decemberists , nome inspirado na Revolta Dezembrista, levante contra o czar na Rússia de 1825.

Ellis assumiu a identidade visual do grupo e ilustrou o primeiro EP, 5 Songs (2001), e o álbum de estreia, Castaways and Cutouts (2002). Desde então, segue responsável pelas capas dos discos. Em 2024, ao apresentar a arte de As It Ever Was, So It Will Be Again , ela revelou ter ilustrado os nove álbuns de estúdio da banda e outros lançamentos, somando 19 trabalhos entre discos, EPs e singles.

O embrião de O Bosque Selvagem surgiu praticamente na mesma época. Por volta de 2000 e 2001, o casal começou a escrever um livro infantil enquanto dividia um galpão no sudeste de Portland. A primeira versão, como os próprios autores reconheceram posteriormente, não era exatamente apropriada para crianças. “ Tínhamos uns 25 anos. Não sabíamos o que estávamos fazendo , contou Ellis à revista Portland Monthly “.

Em 2022, Meloy também comentou em sua newsletter que as bases do projeto, de certa forma, antecediam até mesmo a existência do The Decemberists . Enquanto a banda gravava discos e excursionava pelo mundo, a ideia continuou amadurecendo.

A transformação aconteceu quando o casal, já vizinho do Forest Park, parque urbano de aproximadamente 2 mil hectares em Portland, decidiu ambientar a fantasia naquele território. Os dois traçaram os limites da área em uma grande folha de papel e começaram a transformá-la no mapa de um reino encantado: a Floresta Impenetrável, habitada por corujas e raposas falantes, bandoleiros e um exército de coiotes.

O imaginário conversa diretamente com a identidade artística do The Decemberists , conhecido por composições narrativas que exploram folclore, mitologia e contos sombrios. É o caso de músicas como The Mariner’s Revenge Song e do álbum conceitual The Hazards of Love (2009), que compartilham com O Bosque Selvagem o gosto por personagens fantásticos, aventuras e atmosferas misteriosas.

O encontro de Prue com Travis Knight

Em abril de 2010, ainda com o livro inacabado, Meloy fechou um contrato com a HarperCollins para publicar uma trilogia, após uma disputa entre editoras interessadas no projeto. A negociação também despertou a atenção de estúdios de cinema.

Receoso de uma adaptação convencional, o casal estabeleceu uma condição que imaginava ser difícil de cumprir: só aceitaria uma versão cinematográfica realizada com a técnica de animação desenhada à mão, como Watership Down (1978), ou em stop-motion.

Foi quando surgiu a LAIKA . Nascido em Portland e sediado em Hillsboro, a poucos quilômetros do Forest Park, o estúdio encontrou no projeto uma afinidade criativa imediata. Travis Knight , presidente e CEO da companhia, leu o manuscrito ainda inacabado e se apaixonou pela história. A parceria começou antes mesmo da publicação do romance, quando a LAIKA também produziu um trailer animado para divulgar o lançamento do livro, a pedido da HarperCollins.

“O encantamento de fato me esperava quando encontrei pela primeira vez o manuscrito inacabado de Wildwood, de Colin Meloy. Muito antes de chegar ao mundo como romance publicado, a prosa belíssima de Colin já havia lançado seu feitiço sobre mim. Em poucas páginas, senti aquela sensação rara e inconfundível que todo criador secretamente teme: ‘Ah, não. Este aqui é meu.'”, Travis Knight , diretor de O Bosque Selvagem e CEO da LAIKA .

O Bosque Selvagem chegou às livrarias norte-americanas em 30 de agosto de 2011, pelo selo Balzer + Bray, da HarperCollins, acompanhado de 85 ilustrações de Ellis . O romance permaneceu por duas semanas na lista de mais vendidos do The New York Times . Poucos dias depois, em 8 de setembro, a LAIKA anunciou a aquisição dos direitos de adaptação.

A história ganhou outras duas continuações: Under Wildwood (2012) e Wildwood Imperium (2014). No Brasil, o primeiro volume foi publicado pela Galera Record em 2014, justamente com o título O Bosque Selvagem , enquanto o segundo chegou às livrarias em 2016 como O Bosque Subterrâneo .

Na ocasião do anúncio dos direitos cinematográficos, Meloy demonstrou confiança no estúdio responsável por transformar sua criação em animação: “ Não há outro estúdio no mundo além da LAIKA a quem eu confiaria O Bosque Selvagem”.

A adaptação, entretanto, ainda levaria muitos anos para sair do papel. A dimensão do universo criado pelo casal representava um desafio técnico considerável para a animação em stop-motion. O diretor de arte Nelson Lowry chegou a contabilizar 136 locações diferentes no roteiro, em comparação com os 60 cenários externos utilizados em Kubo e as Cordas Mágicas .

Além da complexidade da produção, havia também a preocupação de Meloy e Ellis de que o lançamento do filme pudesse ofuscar os livros antes de a trilogia estar concluída. A série literária terminou em 2014, mas a adaptação só começou a ganhar forma definitiva anos depois.

Em setembro de 2021, a LAIKA anunciou oficialmente o projeto como seu sexto longa-metragem, com Knight na direção e Chris Butler no roteiro. Após os impactos da pandemia e um adiamento de aproximadamente um ano, O Bosque Selvagem teve sua première mundial em 11 de outubro de 2026, durante o BFI London Film Festival.

A trilha sonora: duas canções inéditas do The Decemberists

A participação do The Decemberists na produção não termina na origem literária. A banda também retorna ao universo de O Bosque Selvagem por meio de duas músicas inéditas.

A principal delas é The Better Part of Bravery , composta por Meloy especialmente para os créditos finais da animação. Lançada como single em 9 de outubro, a faixa representa a primeira música inédita do grupo em mais de dois anos e integra o álbum oficial da trilha sonora, lançado pela Decca Records, que também reúne a composição original de Dario Marianelli , vencedor do Oscar por Desejo e Reparação .

Já a coletânea The Wildwood Sessions , lançada pela LAIKA em 16 de outubro, amplia a relação do filme com a cena musical contemporânea. O álbum reúne participações de artistas como Aminé , Portugal. The Man , Saya Gray , Still Woozy e quickly, quickly , além de outra composição inédita do The Decemberists , I Want To Be Lost .

Em declaração sobre a experiência, Meloy destacou a importância de revisitar um universo que acompanha sua trajetória há tantos anos.

“O Bosque Selvagem faz parte da minha vida há muitos anos, e ver a história transformada dessa forma foi uma experiência extraordinária. Escrever a canção para os créditos finais me deu a chance de voltar ao mundo de O Bosque Selvagem de outra maneira. Há algo especialmente significativo em ter música acompanhando o público enquanto ele deixa a floresta e a história chega ao fim”, Colin Meloy sobre The Better Part of Bravery .

Qual é a história de O Bosque Selvagem ?

Existe um bosque escondido logo depois da cidade, um lugar que não aparece em nenhum mapa e de onde dizem que ninguém volta. É para lá que uma revoada de corvos leva o irmão de Prue (voz de Giulia Benite na versão dublada), enviados por uma feiticeira que precisa dele para seus planos sombrios. Sem pensar duas vezes, Prue parte para o Bosque Selvagem para salvá-lo, ao lado do amigo Curtis . Lá dentro, os dois encontram um mundo mágico, cheio de perigos, criaturas encantadas e segredos antigos. Confira o trailer:

O post The Decemberists: Como a banda de indie folk deu origem à animação ‘O Bosque Selvagem’? apareceu primeiro em Rolling Stone Brasil .