Na Ucrânia, o aplicativo público de alerta de ataques aéreos começou a disparar notificações falsas pouco antes das 23h de domingo, no horário local. As mensagens mencionavam Kiev e outras regiões do país, alertando sobre possíveis ataques com armas nucleares e químicas, além de combates nas ruas.
Uma das notificações afirmava que a Rússia havia lançado um míssil hipersônico Oreshnik, capaz de transportar uma ogiva nuclear, e que um alerta nuclear havia sido declarado.
A Força Aérea ucraniana informou pelo Telegram que o sistema aparentemente havia sido comprometido por hackers russos. Um dos indícios apontados foi o fato de as notificações terem sido transmitidas em russo, embora o ucraniano seja obrigatório nas comunicações oficiais do país.
“Não existe ameaça de radiação! Mantenham a calma e acompanhem nossas atualizações em nosso canal!”, afirmou a Força Aérea em uma mensagem publicada na plataforma.
Pouco depois, notificações informando que o perigo havia passado foram enviadas para cada um dos alertas. O Ministério da Transformação Digital da Ucrânia suspendeu temporariamente o aplicativo, mas ressaltou que os demais canais de comunicação continuavam funcionando, incluindo as sirenes de alerta aéreo.
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Aplicativos usados por moradores da Ucrânia e da Rússia para receber alertas de emergência foram invadidos por hackers durante a madrugada de domingo (1) – Imagem: Raphael_HJ/Shutterstock
Aplicativo russo também foi invadido
Horas depois do incidente na Ucrânia, a agência estatal russa TASS informou que o aplicativo do Ministério de Situações de Emergência da Rússia também havia sido atingido por um ataque cibernético;
O grupo Atesh, identificado como uma organização hacker pró-Ucrânia, publicou uma captura de tela da notificação falsa em seu canal no Telegram, acompanhada de uma mensagem afirmando que o aplicativo havia sido invadido;
No caso russo, os hackers enviaram um alerta afirmando que ogivas nucleares haviam sido lançadas contra todas as regiões do país. A mensagem também recomendava que a população armazenasse alimentos suficientes para três semanas e procurasse abrigo em porões;
O conteúdo não tentava imitar uma comunicação oficial. Pelo contrário: trazia expressões coloquiais, palavrões e insultos direcionados à Rússia, chegando a chamar algumas regiões do país de “pântanos”;
O Ministério de Situações de Emergência russo minimizou o impacto do episódio. Segundo a pasta, o aplicativo atingido não era um dos principais canais oficiais de alerta à população, mas apenas uma fonte complementar de informações;
As autoridades afirmaram que especialistas trabalhavam para restabelecer o funcionamento normal do serviço e orientaram os cidadãos a confiar apenas no site oficial do ministério e em seus perfis institucionais nas redes sociais.
Hackers não foram identificados
A Reuters informou que não conseguiu verificar quais grupos foram responsáveis pelos ataques. Especialistas já associaram outros incidentes de segurança cibernética ocorridos durante a guerra a hackers ativistas e também a agências de inteligência dos dois lados do conflito.
Em Kiev, moradores ouvidos pela agência disseram que não entraram em pânico ao receber as notificações falsas.
Artem Pyndyk, empresário de 37 anos, afirmou que ficou brevemente surpreso, mas logo percebeu que poderia se tratar de uma mensagem falsa. Segundo ele, o episódio não provocou a reação que os invasores aparentemente esperavam.
O morador também destacou que, apesar da ausência de pânico, o ataque demonstrou que os hackers conseguiram obter algum nível de acesso ao sistema.
Já Oksana Vostrykova, funcionária de uma pizzaria de 48 anos, disse que desconfiou imediatamente da notificação. Sua maior preocupação, segundo relatou, era com os filhos que poderiam estar nas proximidades.
Os ataques aconteceram no mesmo dia em que terminou um cessar-fogo local de seis dias, intermediado pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, em pequena área do sul da Ucrânia. A pausa havia sido a mais longa desde o início da invasão russa em grande escala, em 2022.
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