A probabilidade de manutenção equivale a quase o triplo da atribuída a um corte de 0,25 ponto percentual. Eis a distribuição, segundo a B3 :
aumento de 1 p.p. – 0,20%;
aumento de 0,75 p.p. – 0,20%;
aumento de 0,5 p.p. – 0,48%;
aumento de 0,25 p.p. – 0,17%;
manutenção em 13,75% – 72,50%;
queda de 0,25 p.p. : 26,00%;
queda de 0,5 p.p. – 0,30%.
Os percentuais são calculados a partir dos preços das opções de Copom negociadas na B3. A metodologia utiliza contratos do tipo Cash-or-Nothing, cujo prêmio descontado reflete a probabilidade atribuída pelo mercado a cada possível decisão sobre a Selic.
A bolsa adota uma hierarquia de fontes para calcular essas probabilidades: negócios realizados no call de fechamento (P1), média de ofertas válidas (P2) ou coleta de informações com participantes do mercado (P3). Quando utiliza a 3ª alternativa, a B3 ajusta os percentuais proporcionalmente para que a soma corresponda a 100%.
Na ausência de dados suficientes de negociação, a bolsa utiliza um modelo matemático (P4), que estima as probabilidades com base nos preços das opções de IDI (Índice de Taxa Média de Depósitos Interfinanceiros). O modelo busca garantir que a distribuição dos cenários some 100% e não apresente probabilidades negativas.
O QUE DIZEM OS BANCOS
O economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles, projeta manutenção da Selic em 13,75% em novembro e em dezembro. Segundo ele, “os dados mostram uma piora no cenário prospectivo de inflação, em especial pela depreciação do câmbio”.
O Itaú BBA estima decisão unânime do Copom pela manutenção. A instituição entende que o modelo de inflação do Banco Central apontará 3,4% para o 2º trimestre de 2028, horizonte relevante da política monetária. Na reunião anterior, a projeção era de 3,2% para o 1º trimestre de 2028.
O banco cita como fatores o aperto das condições financeiras em economias desenvolvidas, a nova alta do petróleo e a persistência dos núcleos de inflação acima da meta. Segundo o relatório “Cockpit do Copom” , a atividade doméstica dá sinais de desaceleração, mas o mercado de trabalho continua firme.
O cenário internacional também pode dificultar a queda da inflação. A alta do petróleo tende a pressionar os preços dos combustíveis, enquanto a valorização do dólar encarece produtos e insumos importados. Os 2 fatores podem limitar o espaço para cortes na taxa básica de juros.
Na reunião de setembro, o Copom cortou a Selic em 0,25 p.p., para 13,75% ao ano.
PROJEÇÕES DO FOCUS
O Boletim Focus, pesquisa do BC com economistas do mercado financeiro, registrou alta nas projeções para a inflação em 2026. A estimativa para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) passou de 5,19% para 5,22%. A expectativa permanece acima do teto da meta de inflação, de 4,5%, o que ressalta a dificuldade da autoridade monetária em levar os preços ao objetivo estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional.
O relatório também elevou as projeções para juros e câmbio:
IPCA 2026 – de 5,19% para 5,22%;
IPCA 2027 – de 4,34% para 4,76%;
Selic 2026 – de 13,25% para 13,50%;
Selic 2027 – de 11,75% para 12,50%;
dólar 2026 – de R$ 5,05 para R$ 5,34;
Dólar 2027 – de R$ 5,15 para R$ 5,40.
A revisão das expectativas reforça o cenário de cautela para a política monetária. A projeção para o IPCA de 2027 subiu 0,42 ponto percentual, enquanto a estimativa para a Selic no mesmo período avançou 0,75 ponto. Os números indicam que os economistas passaram a esperar juros mais elevados por mais tempo para conter a pressão sobre os preços.

