Na comparação com setembro de 2025, a produção industrial caiu 2,5%, resultado pior que os registrados em agosto (-1,2%) e julho (-0,5%). No acumulado de janeiro a setembro, a indústria cresceu 0,4%. Em 12 meses, a alta foi de 0,2%. Eis a íntegra do documento (PDF – 2 MB).

O desempenho indica perda de ritmo da atividade industrial brasileira. No 3º trimestre de 2026, a produção recuou 1,4% em relação ao mesmo período de 2025. A média móvel trimestral caiu 0,5% em setembro e manteve a trajetória descendente iniciada em maio.

A queda de setembro foi disseminada. Das 4 grandes categorias econômicas pesquisadas pelo IBGE, 3 registraram retração. Entre os 25 ramos industriais analisados, 17 apresentaram redução da produção.

As principais influências negativas vieram de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-4,2%) e produtos alimentícios (-1,7%). O setor de alimentos interrompeu 2 meses consecutivos de crescimento, período em que havia acumulado alta de 1,7%.

Outras atividades que pressionaram o resultado foram:

produtos farmoquímicos e farmacêuticos : -3,1%;

produtos de minerais não metálicos : -2,6%;

máquinas e equipamentos : -2,1%;

veículos automotores, reboques e carrocerias : -1,2%.

Por outro lado, as indústrias extrativas cresceram 1,7% e exerceram a principal influência positiva sobre o resultado geral. O setor interrompeu 4 meses consecutivos de queda, período em que acumulou perda de 4,5%.

Também avançaram a fabricação de produtos químicos (1,7%) e de produtos do fumo (20,3%).

BENS DE CAPITAL: MAIOR QUEDA

A produção de bens de capital, que inclui máquinas e equipamentos utilizados pelas empresas, registrou a maior retração entre as grandes categorias econômicas em setembro, com queda de 1,9% em relação a agosto.

O resultado intensificou a perda de 0,1% registrada no mês anterior e indica enfraquecimento da produção de equipamentos destinados à ampliação da capacidade produtiva.

Os bens intermediários, utilizados como insumos por outras indústrias, registraram o 5º mês consecutivo de queda. Nesse período, acumularam retração de 3,5%.

Já os bens de consumo semi e não duráveis recuaram pelo 2º mês seguido, com perda acumulada de 2,9%.

Os bens de consumo duráveis foram a única categoria com resultado positivo em setembro. A alta de 0,7% recuperou parte da queda de 1,3% registrada em agosto.

INDÚSTRIA CRESCE APENAS 0,4% NO ANO

De janeiro a setembro de 2026, a produção industrial brasileira cresceu 0,4% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado foi sustentado principalmente pelas indústrias extrativas, com expansão de 5,9%, e pelo setor de veículos automotores, reboques e carrocerias, que avançou 6,2%.

O crescimento, porém, ficou concentrado em poucos segmentos. Dos 25 ramos industriais pesquisados, apenas 9 registraram alta no acumulado do ano. Os outros 16 apresentaram queda.

Entre as grandes categorias econômicas, os resultados acumulados de janeiro a setembro foram:

A maior retração foi registrada na produção de bens de capital, com queda de 5%. O resultado foi pressionado principalmente pela fabricação de equipamentos agrícolas (-23,1%), bens de capital de uso misto (-15,2%) e equipamentos para fins industriais (-2,9%).

Entre as atividades industriais, máquinas e equipamentos acumularam queda de 7,8%, enquanto produtos químicos recuaram 3,3%.

JUROS E ATIVIDADE ECONÔMICA

A retração industrial ocorre em um cenário de juros elevados. O BC (Banco Central) manteve a taxa básica, a Selic, em 13,75% ao ano na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) encerrada na 4ª feira (4.nov).

Os juros elevados encarecem o crédito, restringem o consumo financiado e aumentam os custos de investimento das empresas. O efeito tende a ser mais intenso sobre segmentos dependentes de financiamento, como máquinas, equipamentos e bens de consumo duráveis.

A queda de 5% na produção de bens de capital no acumulado de 2026 é um sinal de enfraquecimento da fabricação de equipamentos destinados ao investimento produtivo.

A evolução da indústria é um dos indicadores utilizados para avaliar o ritmo da economia brasileira e as perspectivas para o PIB (Produto Interno Bruto).