“Foi uma surpresa muito boa, porque eu não estava procurando por eles”, conta Pedro, que trabalha com automação industrial e fotografa natureza nas horas livres.

Ele já conhecia o animal de uma observação guiada, mas ver o grupo por conta própria o motivou a voltar. Desde então, quando sobra tempo na volta do trabalho, faz um desvio de alguns quilômetros por estrada de terra para tentar reencontrá-los. Na maioria das vezes, a parada dura de 5 a 10 minutos. Em uma ocasião, passou mais de 40 minutos observando os macacos se alimentando de cana-de-açúcar.

Macaco-prego-galego se alimentando da cana de açucar

O número de animais varia. Às vezes são sete ou oito indivíduos atravessando a pista, outras vezes, grupos maiores.

Pedro observa e fotografa de dentro do carro, sem se aproximar. Segundo ele, os animais parecem acostumados ao movimento de veículos e continuam suas atividades normalmente.

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Quem encontra macacos na beira da estrada pode ter a tentação de oferecer comida. Especialistas em fauna silvestre alertam que a prática faz mal aos animais. A alimentação humana, como pão, biscoito e frutas cultivadas, não faz parte da dieta natural e pode causar problemas de saúde.

Além disso, os macacos passam a associar pessoas e veículos a comida e ficam mais tempo perto da pista, o que aumenta o risco de atropelamento. Também podem se tornar mais ousados e acabar em conflitos com as pessoas, além de ficarem mais expostos a doenças transmitidas por contato com humanos.

Por isso, a recomendação é observar de longe, sem tentar atrair ou tocar nos animais. É o que o fotógrafo faz: observa e registra de dentro do carro, sem interferir no comportamento do grupo.

A espécie já foi dada como extinta

Para a primatóloga Renata Gonçalves Ferreira, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o registro tem valor justamente por mostrar uma espécie ameaçada.

“Não é um registro raro, mas é uma espécie ameaçada”, explica.

O macaco-prego-galego já foi considerado extinto, pois só havia registros em pinturas da época dos holandeses. Foi redescoberto após um mapeamento feito por pesquisadores do Ibama, que localizou algumas populações.

Segundo Renata, o que ameaça a espécie é a perda de habitat. As grandes plantações de cana fragmentaram a Mata Atlântica. A pesquisadora monitora há quase 20 anos duas populações, que vivem em fragmentos diferentes.

O animal consegue sobreviver porque come de tudo, mas segue o padrão dos macacos-prego: é preferencialmente frugívoro e insetívoro. Entre as características da espécie, Renata destaca a barbela dos machos, bem maior que a de outras espécies.

Por ser uma espécie ameaçada, o local do registro, incluindo a região, não é divulgado.

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