No dia 9 de agosto de 2024, a aeronave havia saído de Cascavel, no Paraná, com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando caiu em um condomínio residencial em Vinhedo.
Ex-diretores apresentam versões diferentes sobre responsabilidades
Nos depoimentos que constam no processo, os ex-diretores Marcel Sarquis Moura, responsável pelas operações, e Carlos Alberto Costa, que ocupava a diretoria de manutenção, apresentaram versões divergentes sobre quem respondia pelo controle e pela manutenção dos aviões.
À PF, Marcel afirmou que, pouco antes do acidente, a estrutura foi desmembrada e Raphael Limongini, que foi chefe dos pilotos até julho de 2024, assumiu uma parte da diretoria do Centro de Controle de Operações. Até então ele era piloto-chefe.
Moura declarou que, como diretor de operações, não precisava necessariamente ser habilitado para pilotar o avião, pois esse não seria um requisito da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Já o piloto-chefe, segundo ele, tinha responsabilidade técnica por ser habilitado na aeronave.
O ex-diretor de manutenção Carlos Alberto Costa, por sua vez, afirmou que tinha influência sobre o Centro de Controle de Manutenção quando entrou na companhia. No entanto, segundo seu relato, antes do acidente, a estrutura passou a integrar o Centro de Controle de Operações, e Moura teria assumido a responsabilidade pelos consertos dos aviões.
Em um trecho do depoimento, Costa afirmou que ficou insatisfeito com a mudança na estrutura.
“Particularmente, fiquei chateado, porque perdi essa área. O MCC é o Centro de Controle de Manutenção. Ele foi pra debaixo do Moura e o Juliano também passou pra debaixo do Moura”, declarou.
Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Campinas e região por meio do WhatsApp do acidade on Campinas: (19) 97159-8294 .
PF aponta falhas na gestão
Apesar das versões diferentes apresentadas pelos ex-diretores, a PF destacou, no relatório final, que o organograma e o Manual Geral de Operações definem que o diretor de operações deve assegurar que a operação das aeronaves seja conduzida conforme suas limitações técnicas.
A PF também ressaltou que o Centro de Controle de Manutenção, gerido por Juliano Flores Pacheco, respondia diretamente a Moura. Por sua vez, Juliano estava com a licença cassada por irregularidades técnicas e sua manutenção no cargo sob a supervisão de Moura configura uma falha de gestão relevante.
A instituição ainda rejeitou as tentativas de eximir a gestão de culpa ou de isolar a responsabilidade na ponta final da operação. O relatório concluiu que o acidente foi resultado de uma “cultura de não reporte” e de uma gestão que priorizava a frota voando em detrimento da segurança.
Justiça torna réus 12 ex-integrantes da empresa
Em outubro deste ano, a Justiça Federal tornou réus 12 ex-integrantes da empresa, entre diretores, gerentes, um mecânico e o proprietário da Voepass. Eles respondem por crimes relacionados à segurança do transporte aéreo, mas ainda não foram julgados nem condenados.
Em nota, a Voepass declarou que continuará colaborando com a Justiça e as autoridades fornecendo informações e documentos solicitados ao longo do processo.
Receba notícias do acidade on Campinas no WhatsApp e fique por dentro de tudo! Basta acessar o link aqui !
O post Tragédia da Voepass: ex-diretores deram versões diferentes sobre responsáveis pelo manutenção dos aviões apareceu primeiro em ACidade ON Campinas .

