Segundo comunicado da Presidência de Israel, a delegação do UTJ participou das consultas no mesmo dia e decidiu não recomendar nenhum parlamentar para receber o mandato de formar o governo.

A decisão representa um revés para Netanyahu, que perdeu a maioria parlamentar nas eleições de 27 de outubro. O bloco liderado pelo Likud, partido do premiê, conquistou 53 cadeiras no Knesset, enquanto a oposição liderada por Gadi Eisenkot obteve 48. Os partidos árabes conquistaram 19 assentos, número recorde. E dificulta ainda mais a articulação política de Netanyahu para permanecer no poder.

Isso não significa, necessariamente, apoio do partido à oposição. Herzog deverá escolher o parlamentar que considerar com melhores condições de formar uma coalizão. O presidente tem até 11 de novembro para definir quem receberá o mandato, em um cenário de impasse político e sem maioria consolidada.

Nas eleições nacionais de Israel, os cidadãos votam exclusivamente em partidos (e não em candidatos específicos) para eleger os 120 membros do Knesset. O pleito é o 1º no país desde os ataques de 7 de outubro e o início da guerra em Gaza.

A partir do resultado dessa votação, o presidente, que atua como chefe de Estado, realiza consultas com os partidos eleitos para identificar qual líder político tem a maior probabilidade de formar uma coalizão majoritária de no mínimo 61 deputados.

Esse líder assume o cargo de primeiro-ministro e torna-se o chefe de Governo assim que sua coalizão e plataforma política forem oficialmente aprovadas pelo Knesset.

Os 2 blocos apresentaram projetos contrastantes ao eleitorado:

coalizão de Netanyahu – liderada pelo Likud, reúne legendas ultraortodoxas de direita, como o Shas , o United Torah Judaism, o Otzma Yehudit e a Religious Zionist Party. A chapa propõe o avanço da reforma judicial, maior influência religiosa no Estado e a consolidação do controle israelense na Cisjordânia e em Gaza;

bloco de oposição – liderado por Gadi Eisenkot, conta com o apoio de legendas como Yashar!, Beyachad, The Democrats e Yisrael Beyteinu. O grupo reúne origens ideológicas diversas e defende a criação de uma comissão independente para investigar os eventos de 7 de outubro de 2023, a restauração das relações diplomáticas internacionais de Israel e o combate à violência extremista na Cisjordânia.