“A resposta para a crise ainda está acontecendo e o que vai ser determinante é a transparência nesse processo. Em menos de 48 horas, porém, já houve reação, que foi a renúncia do presidente do Banco Central [do Paraguai] e do próprio presidente do país por causa da pressão da sociedade civil. Diferente do caso do Banco Master no Brasil, que já se arrasta há muitos meses” , disse Suelen Raizer, fundadora da Frontexa, ao Poder360 .
Suelen afirmou que ainda está tudo muito “nebuloso” quanto à crise, mas que o Paraguai tem uma trajetória robusta em captar investimento estrangeiro. Segundo ela, o país continua um “solo fértil” para investimento, mas é preciso ter cautela quanto à questão bancária depois do caso Ueno.
“Uma crise traz maior cautela porque o investidor precisa de previsibilidade” , declarou.
O Paraguai atraiu mais de 230 empresas brasileiras desde 2007 para atuar dentro da Lei de Maquila –uma norma legal que permite a companhias estrangeiras voltadas para a exportação produzirem no país vizinho pagando menos impostos . Tais companhias são conhecidas como maquiladoras. O movimento se acentuou nos últimos anos, pois mais facilidades foram criadas para atrair negócios de outros países.
A fundadora da Frontexa disse que até o momento nenhum cliente seu a procurou preocupado com a crise no Paraguai. De acordo com ela, porém, se alguma companhia a procurar, a principal preocupação seria ter o capital totalmente travado e não conseguir pagar fornecedores ou funcionários, além de não receber dinheiro.
De acordo com Suelen, a Frontexa nunca recomendou aos seus clientes o Ueno Bank e sim outras instituições brasileiras por já serem mais consolidadas no Brasil.
Santiago Peña (Partido Colorado, direita) anunciou nesta 5ª feira (5.nov.2026) em seu perfil do X a renúncia à Presidência do Paraguai depois da crise bancária com o colapso do Ueno Bank. Ele era acionista da instituição e foi alvo de pressão popular por suspeita de ter sido conivente com a quebra do banco.
Peña declarou que decidiu renunciar ao cargo para preservar a estabilidade do país e a paz social, e que “nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai” .
A Câmara dos Deputados do país aprovou nesta 5ª feira (5.nov) o pedido de impeachment contra Peña, que renunciou na iminência da votação. O caso segue agora para avaliação do Senado.
A crise do Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras digitais do Paraguai, levou o Banco Central do país a iniciar um procedimento de resolução da instituição e provocou a renúncia do presidente do órgão, Carlos Carvallo. A situação também deixou milhões de clientes sem acesso aos recursos depositados no banco e levou o Ministério Público a abrir uma investigação.
O Ueno Bank tinha aproximadamente 3 milhões de clientes, ou seja, quase metade da população do Paraguai, que tem cerca de 7 milhões de habitantes.
Na 2ª feira (2.nov), o Banco Central do Paraguai decidiu, por unanimidade, iniciar o procedimento de resolução do Ueno Bank. A medida foi tomada depois que o órgão constatou que o índice de solvência da instituição financeira havia caído para menos de 50% do mínimo exigido pela legislação.
Segundo o BCP, a decisão foi resultado de meses de fiscalização. Em junho, a Superintendência de Bancos identificou créditos vinculados a empresas do grupo controlador da instituição e solicitou que as operações fossem adequadas aos limites estabelecidos pela legislação.
De acordo com um comunicado do Banco Central do Paraguai, a identificação dessas operações exigiu uma análise das condições financeiras dos empréstimos e do caminho percorrido pelos recursos. O órgão afirmou que os achados contribuíram para a deterioração dos indicadores de liquidez do Ueno Bank e para a necessidade de constituir provisões adicionais. Eis a íntegra da nota do BCP (PDF – 28 kB).
Com a abertura do procedimento de resolução, as operações da instituição foram suspensas, e os depósitos ficaram temporariamente indisponíveis enquanto as autoridades definem os mecanismos para a recuperação dos recursos. O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, também renunciou.
O Ministério Público do país ordenou a abertura de uma investigação criminal e a detenção de 8 dirigentes e ex-dirigentes do Ueno Bank, incluindo o presidente da instituição, Juan Manuel Gustale, e o empresário Miguel Vázquez.

