Apesar do pedido de renúncia, opositores defendem que Peña sofra impeachment e seja formalmente retirado do cargo para que perca o foro privilegiado vitalício —direito inerente ao cargo mesmo depois da renúncia.
Diante da esvaziada de plenário, o presidente do Congresso, senador Basilio Núñez (Partido Colorado, direita), declarou o fim da sessão.
Se futuramente a renúncia for aceita ou Peña sofrer impreachment, o vice-presidente Pedro Alliana assumirá o cargo . Ele também enfrentava um pedido de impeachment no Congresso. A Câmara dos Deputados, porém, rejeitou a abertura do processo.
Peña anunciou a sua renúncia , nesta 5ª feira (5.nov), na iminência de enfrentar um processo de impeachment –que pouco depois foi aprovado por unanimidade na Câmara e encaminhado ao Senado. Ele alegou buscar a estabilidade social do país após o colapso do Ueno Bank, banco digital do qual foi acionista e que atendia cerca de 3 milhões de pessoas (quase metade da população paraguaia).
A crise travou os depósitos dos clientes e levou o BCP (Banco Central do Paraguai) a decretar a intervenção da instituição, após identificar que o índice de solvência desabou para menos de 50% do mínimo legal devido a créditos irregulares vinculados ao grupo controlador.
O escândalo provocou a renúncia do presidente do BCP, Carlos Carvallo, a suspensão das operações do banco e a abertura de uma investigação criminal pelo Ministério Público, que determinou a prisão de 8 dirigentes e ex-dirigentes, incluindo o presidente da instituição, Juan Manuel Gustale.
O QUE ACONTECE AGORA
Com o encerramento abrupto da sessão, congressistas da oposição afirmaram que a manobra governista ocorreu por receio da derrota. Segundo a senadora Blanca Ovelar, a contagem preliminar indicava maioria contra o pedido de renúncia. “Pensaram que, tirando o quórum, evitariam a nossa vitória” , declarou Blanca, que é do partido de Peña, mas se opõe ao governo.
A senadora Celeste Amarilla (PLRA, centro-esquerda) defendeu o avanço do processo no Senado, lembrando o consenso já alcançado na Câmara. A Casa Alta deve votar na 6ª (6.nov) o impeachment de Pena.

