A França teve nesta quinta-feira (5) mais um dia de protestos e confrontos entre manifestantes e a polícia. Mais de 400 pessoas foram presas.

O dia começou com música. Em Paris, a Orquestra do Novo Mundo tocou o tema do filme “Jogos Vorazes”, símbolo de resistência para os estudantes. A ideia se espalhou pelo país. A greve geral acontece a cinco meses das eleições que marcam o fim da presidência de Emmanuel Macron. O dilema é como conciliar as demandas em um país em crise fiscal com dívida pública crescente - 120% do PIB.

O governo, em minoria na Assembleia Nacional, tem dificuldades para aprovar o Orçamento, e os sindicatos são contra as propostas de cortes. No início, eram só os estudantes do ensino médio bloqueando escolas e pedindo mais investimentos em educação. Mas, com o tempo, os protestos foram crescendo, os estudantes do ensino superior se juntaram a eles e, nesta quinta-feira (5), trabalhadores e estudantes de toda a França se juntaram para fazer uma greve geral pedindo mais investimentos nos serviços públicos e que o governo lide com o alto custo de vida.

O governo prometeu aumentar o número de professores e reduzir o tamanho das turmas e estuda um novo reajuste do salário mínimo. As estudantes dizem que falta tudo: escolas, verbas, professores, mesas e cadeiras. E não foram só estudantes:

“Estamos solidárias com todos que têm medo por seu futuro, que não conseguem estudar, que não têm o que comer”, diz a senhora.

Milhares de manifestantes voltam a ocupar as ruas na França contra aumento do custo de vida

Jornal Nacional/ Reprodução

Trabalhadores dos maiores sindicatos da França aderiram à greve. Entre eles, professores, funcionários da saúde e do controle aéreo, dos Correios e do serviço de trens. Até a Torre Eiffel fechou. Os sindicatos dizem que foram 1,6 milhão pessoas. Além de Paris, houve manifestações também em Marselha, Nantes e Lyon. Lá, houve confrontos com a polícia, que usou gás lacrimogêneo e canhões de água. O governo diz que foram 600 mil pessoas no total. Em Paris, o protesto começou às 14h. Às 18h ainda tinha muita gente na rua.

O governo mobilizou 70 mil policiais. O número disparou depois do 17 de outubro, quando houve violência e depredações pelo país. Manifestantes e organizações denunciaram a repressão. Estudantes ficaram feridos - um perdeu a mão. O governo chegou a decretar toque de recolher em várias cidades.

Na Alemanha, Jorg Tremmel, diretor da Fundação pelos Direitos das Futuras Gerações, diz que estamos vivendo o início de um conflito de gerações: à medida que a população envelhece, vai ser preciso renegociar o equilíbrio entre os direitos dos mais velhos e as oportunidades dos mais jovens e que os dois lados vão ter que ceder.

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França tem novo dia de greve e protestos com confrontos; Torre Eiffel é fechada