Conhecido como Miguel Vázquez,o banqueiro de 36 anos também é acionista majoritário do Grupo Vazquez, instituição que preside atualmente e que possui negócios com Peña.

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Formado pela Incae Business School e com participação em programas internacionais em instituições de renome, como Harvard, Vázques detinha 75,94% do capital do Grupo, que aglomera 26 empresas em setores que vão desde tecnologia à agropecuária, além do Ueno Bank.

O banco digital tornou-se a principal aposta do grupo Vazquez, tendo acumulado em três anos mais de US$ 2,8 bilhões em depósitos.

No entanto, investigações apontam que o banco concedeu mais de US$ 146 milhões em empréstimos irregulares, em especial a empresas vinculadas ao próprio Grupo Vazquez, o que é classificado como fraude.

As normas do sistema bancário paraguaio proíbem expressamente que uma instituição financeira financie a aquisição de ativos por uma empresa a ela vinculada.

De acordo com jornais paraguaios, Vázquez teria realizado uma operação captação de recursos estruturada de forma fragmentada, com o objetivo de dificultar a fiscalização das autoridades reguladoras e mascarar os empréstimos fora da legalidade.

Uma das manobras utilizadas foi a apresentação de contrato de compra e venda à vista que simulava o pagamento com recursos da própria empresa compradora, o que é considerado legal.

Paralelamente, porém, o Grupo Vazquez omitiu que US$ 74,4 milhões utilizados na transação tinham origem em empréstimos concedidos pelo próprio banco às empresas intermediárias.

A investigação refez o caminho dos recursos transferidos entre as contas bancárias, o que permitiu desmontar a estrutura da operação e revelar a existência de um financiamento indireto pelo Ueno Bank.

A origem da crise

O banco digital de Vázquez, considerado uma das principais instituições financeiras do Paraguai, possuí cerca de 3 milhões de clientes, além de administrar aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos. O Ueno Bank também é responsável pela maior parte de cartões de créditos emitidos do país e atualmente em uso.

A situação financeira banco se deteriorou após ajustes realizados em seus balanços durante um processo de fiscalização. Segundo o Banco Central do Paraguai, o índice de solvência da instituição caiu para menos da metade do mínimo regulatório.

A situação levou o BC paraguaio a iniciar, em 2 de novembro, um procedimento de resolução bancária para organizar a destinação dos ativos e passivos.

Tendo quase metade das contas bancárias do país, a situação do banco foi agravada pela pressão social por medidas do governo a respeito da situação da instituição financeira, o que desembocou na renúncia do presidente Peña e em mudanças na autarquia do Paraguai.

Carvallo, ex-presidente do BC, teve sua saída do cargo solicitada diretamente por Santiago Peña. O economista esteve à frente da antiga Financiera Ueno até 2023, antes de assumir o comando do Banco Central. A ligação do presidente da autarquia com a instituição financeira passou a ser questionada por parlamentares da oposição, que questionaram sua supervisão ao banco durante a gestão.

O envolvimento entre Peña e Vázquez

O presidente paraguaio enfrenta questionamentos sobre sua relação com o Grupo Vázquez, do qual foi sócio até 2025. Durante o governo, Peña também realizou depósitos de instituições públicas no Ueno.

Entre os recursos mantidos no banco estão investimentos do Instituto de Previdência Social (IPS), responsável pelo pagamento de aposentadorias e por serviços de saúde no país.

Na quarta-feira (4), antes da renúncia, Peña chegou a promulgar uma lei que permitiria aos poupadores do banco receberem, no menor tempo possível, uma parte dos fundos em garantia retidos com a questão do Banco Ueno.

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