Assai ( ASAI3 ; +5,21%) e C&A ( CEAB3 ; +6,45%) estavam entre as maiores altas (+6 04%). Bancos também estimulam o índice, com exceção de Santander ( SANB11 ; -1,27%). Itaú ( ITUB4 ) e Bradesco PN ( BBDC4 ) avançavam 1,95% e 2,,32%, pela ordem.

A elevação acompanha o movimento da maioria das bolsas de Nova York, depois do recuo na véspera, em parte por temores com custos e regulação com o setor de inteligência artificial (IA).

“Ensaia uma recuperação”, diz o chefe de renda variável da Fami Capital, Gustavo Bertotti. Apesar da alta, ele diz que ainda não é possível afirmar se tratar de tendência. “Nas últimas semanas, o mercado ficou muito nervoso, exibindo grande volatilidade, à espera de algum sinal fiscal do governo. Está aguardando o pronunciamento do Lula, no domingo. Enquanto isso, algumas ações cíclicas se recuperam”, afirma, completando que o payroll (relatório de emprego) forte nos EUA entra como fator desfavorável.

Lá fora, há dúvidas sobre se os juros ficarão elevados por mais tempo, devido ao encarecimento do petróleo, por conta da guerra entre Estados Unidos e Irã que ainda não acabou, e em meio à atividade aquecida. Por isso, o foco hoje é o payroll, divulgado nesta manhã, cujo resultado superou o teto de criação de postos de trabalho de 100 mil das expectativas na pesquisa Projeções Broadcast.

A economia dos EUA criou 165 mil empregos em outubro, em termos líquidos, segundo relatório divulgado pelo Departamento do Trabalho do país. A taxa de desemprego recuou para 4,1%, ante 4,2% em setembro, na comparação com manutenção em 4,2% das estimativas. Ainda, o salário médio por hora aumentou 0,37%, acima do previsto (+0,30%).

“O resultado do payroll veio muito forte. Isso vai começar a gerar risco de aumento de 50 pontos-base nos juros dos EUA em dezembro”, diz o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus. “Na teoria, isso não é positivo para o Brasil.”

De acordo com Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital Nova York, o payroll reforça a expectativa de mais uma alta de juros pelo banco central dos EUA em dezembro. “O Fed tem que subir os juros na tentativa de conter a inflação de demanda. A inflação de oferta, infelizmente, eles não podem fazer nada, depende do preço do petróleo baixar, mas eles podem tentar conter, diminuir essa demanda também.

Segundo Marcel Lima sócio da Valor Investimentos, um mercado de trabalho forte reduz a chance de corte de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos). Apesar disso, as bolsas norte-americanas se recuperam, “puxadas por Nvidia, Micron e AMD.”

Ibovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa sobe em meio a balanços e dados dos EUA

Bolsas dos EUA operam de forma mista após payroll maior que o esperado

Já para Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, o emprego forte também afasta os temores de recessão nos EUA, favorecendo as perspectivas de crescimento global e de demanda por commodities, importantes para empresas brasileiras. Além disso, aponta fatores domésticos, como expectativas fiscais mais favoráveis e a recuperação das ações após quedas recentes, podem estar compensando a pressão externa.

“O mercado está equilibrando dois cenários: juros americanos elevados por mais tempo, mas uma economia global mais resiliente. No Brasil, a continuidade da alta dependerá principalmente do comportamento do dólar, dos juros futuros e das expectativas de inflação, que influenciam diretamente as próximas decisões do Copom sobre a Selic”, avalia.

O quadro fiscal incerto fica no radar, assim como balanços trimestrais de empresas. No geral, a visão de analistas é que os fundamentos continuam desfavoráveis a um avanço firme do Índice Bovespa. “Até termos um sinal sobre as contas publicas a partir de 2027, o Ibovespa pode subir um pouco num dia, realizar em outro. Difícil ter uma tendência de alta”, diz Gabriel Mota, especialista em renda variável da Manchester Investimentos.

“Apesar da alta da bolsa brasileira, o resultado americano exige cautela, pois os números mais fortes provocaram uma elevação dos rendimentos dos títulos dos Estados Unidos e reforçam a possibilidade de uma política monetária mais restritiva, cenário que pode pressionar o real e limitar o apetite por ativos brasileiros”, também pondera Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil.

Para André Matos, CEO da MA7 Capital, “no fim, o Brasil continua dependendo do próprio dever de casa: sem um sinal fiscal crível, qualquer vento contrário vindo de fora pesa mais aqui do que em outros emergentes”.

Investidores aguardam o pronunciamento à nação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo, quando ele deve reiterar o compromisso com a responsabilidade fiscal. No entanto sinalizações sobre medidas devam vir apenas após indicações da equipe do novo governo e isso não deve ocorrer até o presidente retornar da COP31, na Turquia, após 16 de novembro.

Entre as commodities, o petróleo opera com volatilidade e o minério de ferro subiu 0,07% em Dalian.

(com Agência Estado e Reuters)

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