“A partir de agora, além da Casa Civil, o Lulinha vai ser fiscal do cumprimento de cada coisa que a gente aprovar. Aprovou uma coisa, eu quero saber a data de entrega. E também quanto tempo. Quem não quiser fazer, cai fora. Porque o Brasil não pode esperar”, afirmou.

A declaração foi dada durante reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), em Brasília.

A cobrança por prazos e resultados não é nova. Lula vem pressionando publicamente seus ministros por entregas (leia mais abaixo).

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Em agosto de 2025, durante uma reunião ministerial para fazer um balanço da gestão e projetar as entregas até o fim do mandato, o presidente já havia reclamado que o governo “não tem mais muito tempo” e cobrado que ministros levassem problemas até ele.

A cobrança ocorre agora em um novo contexto político. Lula foi reeleito em outubro e inicia o quarto mandato em janeiro de 2027. O plano apresentado na eleição contém uma série de compromissos para áreas como renda, emprego, impostos, aposentadoria, crédito e moradia.

O próximo governo também deverá enfrentar um Congresso com maioria de oposição. O PT e partidos aliados terão menos espaço que siglas de oposição e centro, o que exigirá negociações para que Lula consiga transformar propostas em medidas efetivas.

Lula durante reunião do CNPE.

Cobrança por entregas

A fala desta sexta acrescenta um elemento à cobrança que Lula já vinha fazendo sobre a equipe: o presidente afirmou que pretende acompanhar pessoalmente datas e prazos de execução, além do monitoramento feito pela Casa Civil.

O acompanhamento das entregas também permite medir o que efetivamente saiu do papel. Em julho, levantamento do g1 avaliou o andamento das promessas assumidas por Lula na campanha de 2022 e classificou os compromissos entre cumpridos, cumpridos em parte e ainda não cumpridos. A análise considerou ações realizadas até junho de 2026.

A Casa Civil, citada por Lula, já exerce papel central na coordenação das ações entre os ministérios. A pasta é comandada por Rui Costa e participa diretamente da articulação e acompanhamento de políticas do governo. Reportagem do g1 deste ano mostrou, por exemplo, a influência da Casa Civil em decisões que envolvem diferentes ministérios.

Reunião sobre política energética

Lula fez a cobrança durante uma reunião do CNPE, principal órgão de assessoramento da Presidência para políticas na área de energia. O conselho é presidido pelo Ministério de Minas e Energia e reúne representantes do governo, da sociedade civil e de instituições de ensino.

O colegiado já serviu em outras ocasiões para definir medidas de impacto amplo. Em agosto de 2024, por exemplo, aprovou a Política Nacional de Transição Energética. Em junho de 2025, voltou a se reunir com Lula para discutir políticas relacionadas aos combustíveis e à ampliação da mistura de biocombustíveis.