Lula citou o pré-sal e o potencial de exploração da Margem Equatorial como exemplos do desafio de conciliar a produção de petróleo com a redução do uso de combustíveis fósseis. Segundo o presidente, o Brasil tem “autoridade moral” para conduzir essa discussão justamente por ser um país produtor.

“Proposta de um país que descobriu o pré-sal, de um país que acaba de descobrir possibilidade de bom e muito petróleo na Margem Equatorial brasileira. E, mesmo assim, a gente continua sendo o país que vai levar avante o debate sobre a diminuição” , declarou durante reunião do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), no Palácio do Planalto.

O discurso ocorre em um momento de expansão da produção nacional. O contraste entre as 2 agendas foi abordado pelo Poder360 nesta reportagem .

A produção de petróleo e gás natural é estratégica para o governo, que busca garantir o abastecimento, gerar receitas e sustentar a atividade econômica. O pré-sal responde pela maior parte da extração nacional. Já a Margem Equatorial, no litoral das regiões Norte e Nordeste, é tratada como uma nova fronteira exploratória.

A Petrobras obteve autorização para perfurar um poço na região da Foz do Amazonas. O potencial de novas reservas é estratégico para repor a produção nacional nos próximos anos.

O governo não anunciou uma data para interromper a exploração de petróleo no país. A estratégia defendida por Lula é construir uma trajetória de redução gradual da dependência dos combustíveis fósseis, sem abrir mão imediatamente da produção nacional.

MAPA DO CAMINHO

A proposta mencionada por Lula integra uma agenda que o Brasil tenta consolidar desde a COP30, realizada em Belém, em novembro de 2025. Na conferência, a presidência brasileira defendeu a elaboração de um mapa do caminho para afastar gradualmente a economia mundial dos combustíveis fósseis.

O tema enfrentou resistência de países produtores de petróleo e ficou de fora dos compromissos obrigatórios do acordo final da conferência. Lula disse que o Brasil conseguiu aprovar o embrião da discussão e agora pretende apresentar uma proposta mais estruturada.

Em 3 de novembro de 2026, a presidência brasileira da COP30 apresentou um documento com diretrizes para a transição. O mapa propõe que os países avaliem sua dependência de petróleo, gás natural e carvão e identifiquem medidas para reduzir gradualmente o uso dessas fontes.

O documento não estabelece metas obrigatórias nem datas para o encerramento da produção ou do consumo de combustíveis fósseis. A proposta foi apresentada pela presidência brasileira para orientar a implementação de compromissos climáticos. Leia mais nesta reportagem .

Em dezembro de 2025, Lula determinou que os ministérios da Fazenda, de Minas e Energia, do Meio Ambiente e da Casa Civil elaborassem, em 60 dias, diretrizes para um mapa do caminho nacional.

Nesta 6ª feira, o CNPE aprovou o Plante (Plano Nacional de Transição Energética), instrumento da Política Nacional de Transição Energética, instituída em 2024.

A apresentação da proposta também integra a estratégia de Lula para manter a influência brasileira sobre a agenda climática internacional. Na COP31, em Antalya, na Turquia, o Brasil passará a presidência da conferência aos turcos e tentará garantir a continuidade das iniciativas lançadas em Belém.

O presidente chegará à conferência com a intenção de apresentar os resultados ambientais de seu governo e defender a continuidade dos compromissos assumidos na COP30.

O Brasil reduziu em 560 milhões de toneladas as emissões de gases de efeito estufa entre 2022 e 2024, segundo dados mencionados pelo presidente.

Lula também afirmou que o país registrará o menor desmatamento de sua história e citou a redução das queimadas em todos os biomas brasileiros durante o atual mandato.

Outro resultado mencionado foi o TFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre), que já reúne US$ 7,8 bilhões. O presidente pretende buscar novos investidores na Turquia para ampliar os recursos do mecanismo, que destina parte de seus rendimentos à preservação de florestas tropicais.

Lula também citou os R$ 7,8 bilhões investidos no Fundo Amazônia entre 2023 e 2025. Segundo ele, os recursos foram retomados depois de um longo período de paralisação. “Não vamos chegar dando palpite. Nós vamos chegar dizendo o que nós fizemos. E, se nós fizermos, poderemos desafiar os outros a fazer” , declarou.

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