“Nós temos uma imprensa que talvez seja correto, não tô fazendo juízo de valor, que ela prefere criticar do que elogiar” , declarou durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética, no Ministério de Minas e Energia.

Lula disse que a imprensa deveria dar mais espaço às ações do governo e afirmou que os veículos se concentram em notícias negativas. “A gente olha muita futrica e muita notícia ruim, coisa boa não se olha” , afirmou. O presidente também questionou a cobertura sobre a situação fiscal do país. Disse que o governo recebeu as contas públicas com déficit de 2,8% e encaminha o Orçamento com superávit. Não especificou a qual indicador fiscal se referia.

Ainda afirmou que o governo mantém a responsabilidade fiscal, mas não pretende transferir o custo do ajuste para a população de baixa renda. Também comparou a dívida brasileira à de países como Estados Unidos, França, Japão e Itália. Segundo ele, o endividamento dessas economias em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) é maior que o brasileiro. O presidente criticou a imprensa por não destacar essa diferença.

CRÍTICAS À GLOBO

Durante o discurso, Lula também questionou uma campanha exibida na televisão que afirma que 7 milhões de crianças passam fome no Brasil.

O presidente mencionou o apoio da Rede Globo à iniciativa e pediu que a entidade responsável pela divulgação seja investigada. “Eu quero que você investigue pra saber quem é essa entidade que a Globo tá apoiando. Quem é que tá contando essa mentira?” , declarou.

Lula contestou o número apresentado pela campanha e citou a merenda escolar e os programas federais de combate à fome para questionar a informação. O presidente não identificou a campanha durante o discurso. A descrição, porém, corresponde a uma iniciativa do Pacto Contra a Fome , lançada em setembro de 2026 em parceria com a agência Africa Creative. A campanha usa o número de 7 milhões de brasileiros em situação de insegurança alimentar grave e pergunta: “Você sabe o que vai comer hoje? 7 milhões de brasileiros não” .

A iniciativa foi divulgada na televisão e em outros meios. Lula, porém, não citou o nome da organização nem apresentou dados para contestar o número durante a reunião.

Os dados mais recentes do IBGE sobre o tema são da PNAD Contínua de 2025 . Segundo a pesquisa, o número de pessoas em situação de fome caiu para 6,48 milhões em 2024, redução de 23,5% em relação aos 8,47 milhões registrados em 2023.