A Justiça do Rio converteu em prisão preventiva a prisão em flagrante de Elaine Lourenço Menezes Nunes, ex-mulher do leiloeiro Rogério Menezes Nunes. Ela foi presa na quarta-feira (4), após, segundo a polícia, tentar assumir à força o controle da empresa do ex-marido, na Avenida Brasil, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio.
A decisão foi tomada nesta sexta-feira (6), durante audiência de custódia. O juiz Diego Fernandes Silva Santos considerou que há elementos concretos para a manutenção da prisão e afirmou que a liberdade da investigada poderia colocar em risco a ordem pública e prejudicar a investigação.
Segundo o magistrado, Elaine Lourenço Menezes Nunes foi presa após"invadir estabelecimento empresarial, em concurso de pessoas, na tentativa de assumir o comando do estabelecimento mediante invasão, intimidação armada e agressões físicas".
A decisão também cita destruição e tentativa de subtração de equipamentos e o furto de um celular.
O Ministério Público havia pedido a conversão do flagrante em prisão preventiva. A defesa, por sua vez, pediu o relaxamento da prisão e, alternativamente, a concessão de liberdade provisória com aplicação de outras medidas cautelares. O juiz rejeitou os pedidos da defesa.
Na decisão, Diego Fernandes Silva Santos considerou a"gravidade concreta dos crimes" e afirmou que os fatos investigados teriam sido praticados com violência ou grave ameaça. Para ele, medidas cautelares alternativas à prisão não seriam suficientes neste momento.
O magistrado também argumentou que a prisão é necessária para preservar a instrução criminal. Segundo a decisão, a soltura poderia provocar "medo e insegurança" nas vítimas e testemunhas e prejudicar seus depoimentos.
Tentativa de tomar empresa
Rogério Menezes, leiloeiro
Elaine Lourenço Menezes Nunes foi presa na quarta-feira depois de, segundo a polícia, tentar assumir à força o controle da empresa de Rogério Menezes Nunes, na Avenida Brasil.
Rogério Menezes Nunes morreu em 22 de outubro. O episódio ocorre em meio a uma série de conflitos e disputas judiciais envolvendo Elaine Lourenço Menezes Nunes e Juliana de Andrade Souza, que afirma ter sido companheira do leiloeiro durante um ano e meio, até a morte dele.
Segundo a investigação, policiais militares à paisana estavam entre os homens que acompanharam Elaine Lourenço Menezes Nunes na entrada na empresa. Quatro PMs foram detidos e vão responder em liberdade por esbulho possessório, quando há retirada ou tentativa de retirada ilegal da posse de um imóvel.
Elaine Lourenço Menezes Nunes foi presa por suspeita de esbulho possessório, dano qualificado e roubo. A própria decisão que manteve sua prisão registra esses três crimes como as imputações feitas contra ela.
Imagens mostram ação
PM armado aparece para apaziguar discussão após tentativa de invasão de empresa na Avenida Brasil
Imagens de câmeras de segurança e relatos de funcionários mostram a ação, por volta das 14h30. Nas gravações, Elaine Lourenço Menezes Nunes aparece chegando ao endereço acompanhada por um grupo de homens. A advogada dela também estava no local.
As imagens mostram um dos homens revistando o porteiro e outro pegando as chaves da portaria. Em outro momento, funcionários são revistados por um homem armado.
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Elaine Lourenço Menezes Nunes também aparece circulando pelas dependências da empresa acompanhada pelo grupo e mandando um funcionário abrir uma porta.
Segundo testemunhas, os filhos de Rogério Menezes Nunes, Edgar e Matheus Garrido Nunes, contestaram a ordem apresentada por Elaine Lourenço Menezes Nunes e chamaram a polícia.
Funcionários também relataram ameaças feitas por integrantes do grupo. Uma funcionária afirmou à polícia que foi agredida e teve o celular roubado.
Testemunhas disseram ainda que integrantes do grupo teriam danificado equipamentos do circuito interno de câmeras e tentado retirar documentos da empresa.
A Delegacia de Polícia Judiciária Militar instaurou um procedimento para apurar a participação dos PMs no episódio.
A TV Globo não conseguiu contato com a defesa de Elaine Lourenço Menezes Nunes.
Fechaduras destruídas após invasão da empresa em Santa Cruz, na Avenida Brasil

