A proposta vem na esteira do processo de definição sobre o futuro da usina nuclear de Angra 3. Em outubro, o Tribunal de Contas da União fixou prazo de 240 dias para o governo tomar uma decisão sobre a conclusão ou abandono das obras.

Em conversa com jornalistas depois da reunião do Conselho Nacional de Política Energética, Silveira afirmou que o governo decidiu por apresentar uma solução “mais abrangente” para o setor nuclear antes de atender ao prazo da Corte de Contas.

A ideia é colocar a conclusão da usina –que Silveira já manifestou ser favorável– dentro de uma estratégia para reestruturar a Eletronuclear . A estatal enfrenta dificuldades financeiras. O ministro disse que a proposta “provavelmente” virá como um projeto de lei.

A construção de Angra 3 começou na década de 1980 e passou por sucessivas interrupções. As obras estão paralisadas desde 2015, com cerca de 66% do empreendimento concluído e aproximadamente R$ 12 bilhões já investidos.

Um estudo atualizado do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) estima que seriam necessários outros R$ 23,9 bilhões para finalizar o projeto.

Enquanto não há uma definição, a manutenção do empreendimento paralisado custa cerca de R$ 1 bilhão por ano, considerando despesas operacionais e financeiras. Em setembro de 2026, a Eletronuclear conseguiu suspender temporariamente o pagamento de dívidas com o BNDES até o fim de 2027.