Um homem de 65 anos condenado por estelionato e por se passar por falso padre em São Paulo foi encontrado morto na manhã desta quinta-feira (5), no Centro da capital paulista.

O corpo de Marcos Rodrigues Fontana estava no apartamento onde ele morava, na Alameda Barão de Limeira, no bairro de Campos Elíseos. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas os socorristas constataram a morte no local.

O companheiro dele, Joster Santana dos Santos, afirmou aos policiais militares que atenderam à ocorrência que Marcos tinha problemas de saúde e que chegou a ficar internado por 25 dias na Santa Casa de São Paulo.

Fontana tratava uma hérnia abdominal, tinha problemas renais e hipertensão arterial, além de apresentar convulsões. Ele recebeu alta na última segunda-feira (2). Segundo o boletim de ocorrência, desde então, estava sob os cuidados de um cuidador chamado Emerson.

O cuidador relatou que, no dia da alta, Marcos ainda apresentava fortes dores. Nesta quinta-feira (5), ele recebeu uma ligação de Joster Santana comunicando a morte da vítima.

Após a ligação, Emerson foi imediatamente ao apartamento de Marcos, na Alameda Barão de Limeira, e acionou o Samu. Os socorristas, no entanto, constataram a morte do idoso no local.

Irmão relata suspeitas à polícia

O irmão de Marcos, André Rodrigues Fontana, que mora no Rio de Janeiro, compareceu à delegacia na madrugada desta sexta-feira (6) e relatou que a vítima vivia com Joster desde 2023, em união estável.

André soube da morte por meio de um amigo do irmão e veio à capital paulista para acompanhar o caso. À polícia, ele contou que, cerca de um mês antes, Marcos havia enviado mensagens pelo WhatsApp relatando que Joster administrava medicamentos a ele sem seu consentimento.

O irmão também disse que Marcos havia ficado internado por 22 dias no Hospital das Clínicas, em razão de uma crise renal que a vítima atribuía ao uso de medicamentos e canetas emagrecedoras.

André relatou ainda suspeitas de que um segundo homem, identificado como Padre Francisco, teria frequentado o apartamento durante a internação e desaparecido com joias e outros objetos pessoais.

Segundo o depoimento, após a alta, Marcos percebeu que haviam sumido anéis de ouro, correntes e outros pertences. Amigos teriam informado que Padre Francisco frequentava o imóvel durante o período em que a vítima estava hospitalizada, o que levantou suspeitas de um possível furto.

O homem também teria pedido dinheiro à família para a compra de fraldas e medicamentos para Marcos.

André afirmou ainda que Joster Santana impediu os familiares de ter acesso ao celular, aos cartões bancários e aos documentos pessoais do irmão. Segundo o relato, Joster continua morando no imóvel que pertencia à vítima.

Após receber a notícia da morte, André disse ter estranhado as circunstâncias e afirmou que pretende apresentar provas e indicar testemunhas à polícia para ajudar a esclarecer os fatos.

O caso é investigado pelo 77º Distrito Policial como morte suspeita. A perícia foi acionada para apurar as circunstâncias da morte.

O g1 tenta localizar a defesa de Joster Santana dos Santos e de André Rodrigues Fontana, irmão da vítima, mas ainda não obteve retorno.

Condenação por estelionato

Marcos Rodrigues Fontana, de 65 anos, estava dentro do apartamento onde ele morava na Alameda Barão de Limeira, no bairro de Campos Elíseos.

Marcos Rodrigues Fontana foi condenado em 2006 pela Justiça de São Paulo pelo crime de estelionato, ao se passar por falso padre da Igreja Católica.

Na época, a Arquidiocese de São Paulo alegou que ele não tinha permissão para fazer celebrações e usar vestes em nome da Igreja Católica Apostólica Romana. Algumas paróquias de São Paulo chegaram a colocar avisos nas igrejas alertando para a fraude de Fontana.

Pelo crime de estelionato, ele foi condenado a 1 ano e 2 mesesde reclusão, em regime semiaberto. A pena foi substituída pela prestação de serviços à comunidade em 2013, como sugere a lei criminal para penas abaixo de três anos de reclusão.

A sentença da 23ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo apontou que foi comprovada por meio de investigação a prática de “enganar fiéis para obter vantagem financeira”.

O falso padre cobrava pela realização de missas em velórios, distribuindo panfletos com seus contatos oferecendo serviços como missas e ritos religiosos pagos. Ele chegou a rezar missas nos cemitérios de Vila Mariana, Consolação, Araçá, Necrópole São Paulo e Diadema.

Cada velório tinha o valor fixo de R$ 100 e para a realização de missas de sétimo dia o valor era R$ 450. Ele atuava, principalmente, na região dos Cemitérios do Araçá e da Consolação.

Volta aos golpes

Em 29 de abril deste ano, o jornal "Folha de S.Paulo" voltou a publicar que Marcos Fontana tinha retomado a prática de golpes na cidade, agora se apresentando como monsenhor católico.

Ele frequentava lares de famílias tradicionais dando bênçãos e pedindo donativos em dinheiro para instituições infantis de caridade que não existiam.

As doações das famílias passavam de R$ 5.200, segundo a denúncia da reportagem. Ao ser questionado, o falso padre chegou a alegar que pertencia à Igreja Vétero Católica - que em 1889 rompeu com a denominação Católica Romana - mas em São Paulo os membros disseram à Folha desconhecer Marcos Fontana.