A disputa envolve uma casa em Alphaville avaliada em R$ 32 milhões, que foi dada como parte do pagamento pela mansão. A D.Y.T.T. Administradora de Imóveis, vendedora da casa, afirma que o imóvel tem pendências relacionadas a obras irregulares e, por isso, quer receber os R$ 32 milhões em dinheiro.

Na primeira decisão do processo, a juíza Bruna Lyrio Martins, da 5ª Vara Cível de Barueri, negou o pedido de urgência feito pela empresa por entender que, no momento, não havia elementos suficientes para modificar o acordo entre as partes. O processo ainda segue ativo e será julgado.

O objetivo da D.Y.T.T. é impedir que a transferência da mansão de Tamboré aconteça definitivamente antes da solução da disputa sobre a casa de Alphaville.

A empresa também incluiu na ação a cobrança relacionada à retenção de valores para as obras e uma cláusula de perdas e danos supostamente prevista no contrato, que equivale a 20% do valor total do negócio. Como a mansão foi negociada por R$ 94,5 milhões, a cobrança calculada com base nesse percentual chega a R$ 18,9 milhões.

Com a atualização dos valores e os demais pedidos apresentados pela empresa, o valor atribuído à causa chegou a R$ 58,9 milhões.

O g1 procurou a defesa de Neymar, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

A casa de R$ 32 milhões

Segundo o processo, em maio de 2025, Neymar pai assinou um contrato para comprar uma mansão no Residencial Tamboré 3, em Santana de Parnaíba. O preço previsto era de R$ 95 milhões, mas depois foi reduzido para R$ 94,5 milhões.

Uma parte importante do pagamento, porém, não seria feita em dinheiro. O acordo previa que o empresário entregaria à empresa vendedora uma casa de sua propriedade no Residencial Alphaville 2, em Barueri. O imóvel foi avaliado em R$ 32 milhões e correspondia a cerca de um terço do valor total do negócio.

🔎 Esse tipo de operação é chamado de dação em pagamento: em vez de quitar uma dívida com dinheiro, uma pessoa entrega outro bem como pagamento.

Mansão em Alphaville, SP

É justamente essa casa que a D.Y.T.T. agora diz não aceitar mais nas condições atuais.

De acordo com os autos, o imóvel de Alphaville já era alvo de uma disputa judicial quando foi incluído no negócio. A Associação Residencial Alphaville 2 entrou na Justiça questionando obras feitas na propriedade em desacordo com as regras do loteamento.

Em março de 2023, a Justiça determinou que fossem feitas adequações no imóvel para que ele atendesse às regras internas do residencial. O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a decisão, e o caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), ainda com recurso pendente.

A D.Y.T.T. sustenta que Neymar pai assumiu no contrato a responsabilidade pela situação do imóvel e deveria entregá-lo em condições regulares. Já a defesa de Neymar pai entende que a empresa já sabia dessa situação e, mesmo assim, decidiu seguir com negócio.

O advogado do empresário classificou a tentativa de substituir a casa pelo pagamento de R$ 32 milhões como uma “pretensão absurda, despropositada e desproporcional”.

Em outra manifestação apresentada nos documentos, a defesa afirmou que a dação em pagamento havia sido acertada livremente e sem condicionamento à solução da ação envolvendo a casa de Alphaville.

Mais R$ 1,8 milhão em disputa

Outro ponto do processo envolve R$ 2 milhões que ficaram temporariamente retidos para a realização de ajustes finais na mansão de Tamboré. Segundo a D.Y.T.T., um termo do contrato previa que esse dinheiro seria usado para despesas relacionadas à conclusão de obras e que o saldo deveria ser devolvido depois.

A D.Y.T.T. calculou que o valor cobrado relacionado à retenção, com atualização e juros, chegava a cerca de R$ 1,8 milhão.

Entre os pontos apresentados pela empresa, estão danos em áreas de boliche, spa, cozinha, pintura e acabamentos em geral:

Elementos apresentados no processo

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