A AMD agora prioriza soluções para data centers, setor que gerou 65% da receita da empresa no terceiro trimestre de 2026.
A empresa registrou receita de US$ 8,55 bilhões no segmento de data centers, comparado a quase US$ 5 bilhões nos segmentos de PCs, jogos e sistemas embarcados.
Apesar de priorizar data centers, a AMD não deu sinais de que abandonará os segmentos de jogos ou PCs, como o envolvimento com o Project Helix e atualizações na linha de chips Ryzen X3D.
Lisa Su declarou recentemente que a AMD é uma “a data center first company” , ou seja, uma empresa focada em soluções para data centers . Seria apenas mais uma declaração de uma liderança corporativa — Su é a CEO da companhia — se não fosse por uma pergunta que ficou no ar: isso significa que a AMD deixou o mercado de jogos em segundo plano?
A declaração foi dada em uma entrevista de Lisa Su ao Yahoo Finance , em 5 de novembro. Note que a executiva não afirma que a AMD se transformará em uma companhia focada em data centers, mas que a companhia já trata esse setor com prioridade.
Há uma boa razão para isso: considerando somente o terceiro trimestre de 2026, o segmento de data centers registrou, sozinho, receita de US$ 8,55 bilhões para a AMD. Já os segmentos de soluções para PCs (como a linha Ryzen), jogos (como os chips para o PS5) e sistemas embarcados responderam, juntos, por quase US$ 5 bilhões de receita no mesmo período.
Na prática, isso significa que o setor de data centers é responsável, atualmente, por cerca de 65% da receita total da AMD. Não surpreende, afinal, a demanda por esse tipo de infraestrutura está elevada em todo o mundo devido, em grande medida, ao crescimento acelerado das aplicações de inteligência artificial .
A AMD tem atendido ao setor principalmente com os processadores Epyc e os aceleradores gráficos Instinct, que não são linhas novas. Esta última existe desde 2017, por exemplo. Se esses produtos convivem há anos com as soluções para PCs, o temor sobre um eventual abandono do segmento gamer é exagerado, certo?
Pode até ser exagerado, mas é compreensível. A demanda por data centers está tão elevada que muitas companhias de tecnologia migraram quase que totalmente para esse segmento, deixando o mercado consumidor em situação marginal. Um exemplo notável: no fim de 2025, a Micron abandonou a marca Crucial , focada em PCs, para se concentrar em memórias para data centers.
Lisa Su, CEO da AMD (Imagem: Divulgação/AMD)
AMD não deu sinais de que abandonará o segmento gamer ou os PCs
Apesar de o temor ser justificado, a AMD não deu nenhum sinal de que abandonará os segmentos de jogos ou de PCs como um todo. Basta nos lembrarmos, como exemplo, que a companhia continua envolvida com o Project Helix , a futura geração do Xbox. Outro: em PCs de alto desempenho, a companhia segue atualizando a linha de chips Ryzen X3D.
Por outro lado, não podemos descartar a possibilidade de a AMD priorizar investimentos em soluções para data centers a ponto de linhas como as GPUs Radeon serem atualizadas com uma frequência menor ou até terem menos unidades disponibilizadas no mercado.
Em resumo: o momento não é para pânico, mas requer atenção.
AMD agora prioriza data centers; mas e os jogos e os PCs?

