É comum ver um jogador adotar alguns caminhos quando se aposenta dos gramados: virar treinador, auxiliar, diretor, comentarista, youtuber. Mas você já viu um ex-zagueiro se transformar em governador e, depois, vencedor de reality de culinária? Existe um que provou ser possível fazer isso depois de jogar por Atlético-MG, Grêmio, Flamengo e Vasco. O ge te conta.
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O equatoriano Frickson Erazo é dono dessa trajetória que chama atenção no mundo da bola. Além disso, tem uma conexão com dois semifinalistas da Copa do Brasil. O ex-zagueiro jogou por Atlético e Grêmio, que decidem uma vaga na decisão neste sábado, às 18h, em Minas Gerais. Depois de tomar tantas decisões nos gramados, gabinetes políticos e na cozinha, como torcedor, ele prefere ficar em "cima do muro".
Estou com muita saudade do Brasil. As lembranças são bem boas, até por isso falo português. Sobre o jogo, meu coração fica dividido. São dois clubes que me trataram muito bem. São times grandes do Brasil. Vai ser uma grande partida.
Erazo defendeu o Atlético entre 2016 e 2018
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Erazo iniciou sua caminhada no futebol brasileiro pelo Flamengo, em 2014. Ano da Copa do Mundo do Brasil, em que ele esteve presente e disputou três jogos.
O defensor pouco jogou pela equipe carioca (sete jogos). Passou por um dos momentos mais complicados da carreira. Lidou com a depressão e a distância da família.
— Quando cheguei, não foi fácil. Uma situação estranha. Eu não sabia falar português. Não sabia onde iria morar. Para mim, o Flamengo foi uma faculdade. Foi lá que consegui dar a volta por cima.
— Eu me senti quase sozinho, mas tive o acompanhamento do Léo Moura, do Felipe, goleiro, do André Santos, Elias, Negueba. Amigos que fiz.
Superados os dias complicados no Rio de Janeiro, o equatoriano teve uma passagem sólida pelo Grêmio. Na equipe gaúcha, disputou 42 jogos e marcou dois gols. Último caminho antes de defender o Galo.
— O Grêmio me deu a confiança para jogar meu futebol. Fui titular, o time se destacou na defesa. Fizemos um grande campeonato. O Atlético fez uma proposta. Meu agente me ligou e contou. Não foi uma decisão fácil, mas o projeto era pensado em ser campeão da Copa Libertadores, além de um contrato a longo prazo.
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No Atlético, o equatoriano foi campeão mineiro e vice-campeão da Copa do Brasil de 2016 - justamente na final contra o Grêmio. Ele acabou sendo expulso na decisão. Disputou 46 partidas e guarda com carinho o período no clube, principalmente em Belo Horizonte.
— Fiz muitos amigos no Atlético. Vitor, Léo Silva, Marcos Rocha, Luan, Cazares. Tenho muita saudade do clube. Tínhamos uma expectativa muito grande. A nossa equipe reserva era titular de qualquer time do Brasil.
— Éramos favoritos na Copa do Brasil. Faltou contundência e maior segurança na defesa.
Globo Esporte pega uma carona com o zagueiro Erazo, do Atlético-MG
Pós-carreira: faculdade, política e culinária
Erazo encerrou a carreira em 2020. Diferente da maioria, buscou um caminho longe do futebol na aposentadoria da bola. Fez faculdade de direito e se preparou para assumir um cargo público - com o desejo de ajudar a população de Esmeralda, sua cidade natal.
Concorreu para ser o prefeito da cidade, mas acabou perdendo. Mesmo assim, foi escolhido para ser o governador de sua província - cargo que ocupou por oito meses.
Erazo com a carteira de advogado depois de se formar.
— Sabia que tinha que estudar, me preparar academicamente, para encarar situações da minha cidade. Comecei a fazer a faculdade de direito, a fazer cursos e a conhecer meu país. Ir pelos bairros, conhecer as necessidades, para depois virar governador. Fiz o melhor possível. Virei advogado depois e estou exercendo minha profissão, trabalhando pelo esporte, pelas crianças.
— Não foi fácil. O pessoal desconfiava: "Ele foi jogador de futebol, ele não sabe nada das nossas necessidades". Quando virei, viram que eu tinha conhecimento em administração pública. Foi uma grande experiência.
Quando eu estava de férias, na época de jogador, já tocava projetos da minha fundação. Trabalhava com mulheres com filhos pequenos, sem marido, com problemas em casa. Então, a política começou cedo na minha vida.
Ganhador de reality de cozinha
No ano passado, Erazo foi convidado para participar de um reality show de culinária só com celebridades. Mais um caminho inusitado na carreira do ex-jogador.
— Foi um convite inusitado. Eu não cozinhava nada, absolutamente nada. Uma amiga minha me recomendou. Achei um programa legal para a família e uma oportunidade para me conhecerem, uma pessoa por trás do jogador de futebol, do político. Uma pessoa normal.
— Estava bem nervoso. É um programa que o país todo assistia. Comecei a estudar, não tinha outra opção. Eu não sabia cozinhar. Experimentei pratos de outros países, outras gastronomias.
Erazo, ex-Vasco e Flamengo, na final de reality show de culinária
O equatoriano topou o desafio, venceu os outros 23 participantes e conquistou o troféu de melhor cozinheiro entre celebridades. Tudo isso com uma receita brasileira.
— Fiz comida brasileira na final. Uma sobremesa com açaí. Falei que tinha que fazer alguma coisa do Brasil. E, com o açaí, fiz um gel com gastronomia molecular, e os jurados gostaram.
Advogado, governador, ganhador de reality, ex-jogador. Qual é o próximo passo de Erazo? Um novo chefe de cozinha?
— Amo a cozinha. Estou estudando cozinha. Quero aperfeiçoar a minha técnica. Quero virar profissional na cozinha, além de tudo que já consegui na minha vida. Gosto de me preparar em qualquer área", disse Erazo.
Não sei mais o que tem pela frente. Estou pensando em escrever um livro. Quem sabe, é isso que está faltando.
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