Daniele Bezerra, irmã da advogada e influenciadora Deolane Bezerra, incentivou os seguidores a enviarem cartas para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista (SP), onde a familiar está presa desde maio, por suspeita de envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Em um vídeo publicado nas redes sociais, ela explicou que Deolane recebe e lê todas as mensagens e também as guarda. Confira no vídeo.
Segundo Daniele, a influenciadora recebeu telegramas com mensagens de aniversário, carinho e orações. Ela também contou que outras pessoas demonstraram preocupação por não saberem se as correspondências chegavam até Deolane.
Irmã de Deolane Bezerra (à esq.), Daniele (dir.) incentiva fãs a enviarem cartas à influenciadora presa em Tupi Paulista (SP)
Arquivo e Redes sociais/Reprodução
"Ela está recebendo todos os telegramas, todas as cartas. A unidade [prisional] entrega, ela lê e guarda com muito carinho, até o dia que ela possa trazê-los aqui para fora", informou.
Daniele ainda esclareceu que não é necessário enviar telegramas, que costumam ter um custo mais alto. De acordo com ela, as cartas convencionais também são entregues à unidade prisional, mas demoram um pouco mais para chegar.
"A diferença entre a carta e o telegrama, é porque o telegrama chega mais rápido, no outro dia, no máximo dois dias, a unidade já entrega. Porém, as cartas também são entregues. A diferença é que as cartas demoram um pouco mais para chegar até a penitenciária", explicou.
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Deolane Bezerra é presa acusada de lavar dinheiro para o PCC;
Correspondências nas unidades prisionais
Entre janeiro e setembro de 2026, as unidades prisionais supervisionadas pela Coordenadoria de Unidades Prisionais da Região Oeste (Ceproeste) movimentaram 971.587 correspondências, entre cartas enviadas e recebidas.
Desse total, 539.818 foram correspondências enviadas por pessoas privadas de liberdade, enquanto 431.769 foram recebidas. A coordenadoria reúne 36 complexos e unidades prisionais, dos quais o presídio de Tupi Paulista faz parte.
Em 2025, foram registradas 625.345 correspondências enviadas e 512.400 recebidas. Já em 2024, os números foram de 637.978 e 530.957, respectivamente.
Segundo a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), as correspondências passam por procedimentos de segurança.
As cartas são recebidas pela portaria e pela área de segurança, que verificam a identificação de remetentes e destinatários e realizam inspeções físicas. Caso sejam identificadas irregularidades, podem ser adotadas medidas administrativas.
Deolane Bezerra escreveu carta da penitenciária
Presa desde maio de 2026
Deolane Bezerra foi presa em 21 maio de 2026, por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ela foi denunciada pelo Ministério Público (MP), assim como outros réus no âmbito da Operação Vérnix.
No fim de agosto, a Justiça decidiu manter a advogada e os demais réus presos. Na época, a defesa de Deolane classificou a decisão como “desnecessária, ilegal e desproporcional”.
Segundo a denúncia do Ministério Público, a organização criminosa era dividida em três núcleos: o decisório, integrado pelo chefe do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior; o operacional; e o financeiro - segundo a acusação, Deolane integra esse último grupo.
Os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) afirmam que Deolane seria "a principal integrante do núcleo financeiro, responsável por ocultar e dissimular recursos de origem ilícita por meio de contas bancárias vinculadas a ela e às suas empresas, além de converter esses valores em bens de alto valor econômico".
Outro argumento apresentado pelo Gaeco é que dois dos denunciados, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, continuam foragidos, o que, na avaliação da Promotoria, reforça a necessidade da prisão preventiva para assegurar a aplicação da lei penal.
A defesa de Deolane Bezerra alega que a cliente é inocente e que não possui vínculos com a organização criminosa.
Deolane Bezerra foi transferida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no oeste paulista
Segundo a denúncia, os investigados integrariam uma organização criminosa voltada à ocultação e à dissimulação de recursos provenientes de atividades ilícitas atribuídas ao PCC.
De acordo com o Ministério Público, análises de documentos fiscais, bancários e relatórios técnicos apontariam movimentações de grandes quantias de dinheiro e a conversão desses recursos em ativos com aparência de origem legal. A acusação sustenta ainda que o grupo utilizava empresas de fachada e pessoas interpostas, conhecidas como "laranjas", para esconder a origem do dinheiro.
Em julho, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) negou, por unanimidade, um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Deolane. Na ocasião, a relatora, desembargadora Renata Cantello, afirmou que as alegações apresentadas pela defesa e por relatório da OAB-SP representavam "meras insatisfações com a rigidez natural do regime de reclusão e questões de gestão administrativa interna", sem demonstrar ilegalidade na prisão preventiva nem justificar sua substituição por prisão domiciliar.
No dia 21 de outubro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) recusou dois pedidos de habeas corpus apresentados pela defesa da influenciadora. Quase uma semana depois, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) negou novamente, por unanimidade, um novo pedido de habeas corpus.
Deolane Bezerra chega à Penitenciária de Tupi Paulista (SP)
Aceituno Jr./TV TEM
O que diz a defesa?
Naquele momento, a defesa de Deolane Bezerra diz que recebe a decisão de manutenção da prisão preventiva com surpresa, já que a prisão é manifestamente desnecessária, ilegal e desproporcional.
Informa que sua cliente é inocente, não possuindo vínculo nenhum com organização criminosa, e que sua movimentação financeira é decorrente de atividades empresariais lícitas e de honorários advocatícios, conforme será devidamente comprovado durante a instrução probatória.
A defesa reitera sua confiança nas instituições e continuará adotando todos os instrumentos cabíveis para restabelecer a liberdade.
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