O principal objetivo da ida à cúpula é para efetivar a elevação do relacionamento entre o Brasil e a Asean para “parceria de diálogo”, o mais alto que pode se alcançar com a associação. O pedido foi feito em janeiro de 2026 e pode ser anunciado nesta reunião da cúpula ou da próxima, realizada em Cingapura. Atualmente, o Brasil é “parceiro de diálogo setorial”.
A avaliação de integrantes do governo Lula é de que a diversificação da política comercial e o estreitamento de laços com a Ásia ganharão destaque na política externa do 4º mandato do petista.
A política externa dos governos Lula, tradicionalmente, visa à universalização das relações do Brasil. No caso da Ásia, ao longo do 3º mandato o presidente fez visitas de Estado e participou de encontros internacionais em países como Malásia.
Com isso, houve uma facilitação na abertura no mercado do continente: as Filipinas, por exemplo, se tornaram o maior mercado para carne de porco do Brasil. O Brasil é o principal fornecedor de proteína animal para as Filipinas, com o agronegócio representando 74% das exportações em 2025.
Também para integrantes do governo, essa política de diversificação de mercados foi o que fez com que o Brasil resistisse ao tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), contra produtos brasileiros.
O presidente participa pelo 2º ano consecutivo da cúpula da Asean. Em 2025, foi a Kuala Lumpur, na Malásia. No ano passado, a Asean foi o 5º maior parceiro comercial do Brasil, com comércio superior a US$ 38 bilhões e um superavit brasileiro de US$ 10 bilhões.
Este ano, Lula realiza uma visita de Estado em Manila em 14 de novembro. Deve participar de reuniões restritas e ampliadas com o presidente Ferdinando Marcos Jr., seguidas de um almoço.
No dia seguinte, participa da 49ª cúpula da Asean e do Fórum Empresarial Brasil-Filipinas, com 113 empresas brasileiras já inscritas. O evento terá painéis sobre energias renováveis e segurança alimentar.
Outra prioridade do governo na relação com a Asean é assegurar a renovação do reconhecimento de equivalência do sistema brasileiro de inspeção sanitária, que expira em fevereiro de 2027.
Outros setores também serão importantes nas negociações. Entre eles, Defesa, com o interesse da Embraer na aviação regional, e semicondutores.

