Ao ser confrontado por Greenwald sobre a ausência de evidências de manipulação, Flávio respondeu: “Não tenho” .

“É por isso que eu não vou questionar isso na Justiça brasileira, porque não tenho provas”, declarou. O senador afirmou acreditar que houve irregularidades, mas não apresentou elementos que sustentem a afirmação.

Flávio voltou a questionar a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), que prorrogou o horário de votação em 25 de outubro. Segundo ele, a medida levanta suspeitas sobre o processo de totalização dos votos.

O senador reconheceu que pouco mais de 34.000 eleitores votaram depois das 17h, mas disse que sua desconfiança está relacionada ao ocorreu no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) durante o período adicional.

A votação terminou com Lula reeleito com 51,79% dos votos válidos, ante 48,21% de Flávio. A diferença foi superior a 4,4 milhões de votos. Não há provas de fraude que comprometam o resultado.

QUESTIONAMENTOS À ELEIÇÃO

Desde a derrota, Flávio tem colocado em dúvida a legitimidade da eleição. Em 28 de outubro, depois de deixar o Brasil, divulgou uma carta cuja 1ª versão o apresentava como “verdadeiro presidente eleito” . O texto foi substituído por outro em que se declarava “líder do Brasil” .

A publicação provocou críticas de aliados. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reconheceu o resultado das urnas e desaprovou a carta . O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, também afirmou que não havia provas para sustentar acusações de fraude.

Na entrevista a Greenwald, Flávio disse acreditar que seus aliados compartilham das suspeitas, mas evitam manifestá-las por medo de represálias. Não apresentou evidências dessa afirmação.

Apesar de manter os questionamentos, o senador afirmou que sua estratégia jurídica será concentrada em acusações de abuso de poder político e econômico contra a campanha de Lula.

Flávio deixou o Brasil depois de descumprir uma determinação do ministro Alexandre de Moraes para entregar seus passaportes e não sair do país. Está nos Estados Unidos desde 28 de outubro e afirma que pretende continuar liderando a oposição à distância.