Carlos Woelz, sócio-fundador e gestor da casa, vê oportunidades que ficam escondidas quando o investidor associa multimercado apenas a apostas na direção dos juros, do câmbio ou da Bolsa brasileira. A categoria comporta estratégias diferentes, que também podem contribuir para a construção de uma carteira previdenciária.

A Kapitalo, com R$ 32 bilhões sob gestão e 17 anos de atuação, trabalha com blocos separados de gestão e pretende oferecer versões previdenciárias de todos eles. Também prepara produtos específicos para esse mercado. Woelz discutiu essas possibilidades com Clara Sodré, analista de fundos da XP, no Espresso Outliers InfoMoney.

Neste ano, a Kapitalo esteve entre os destaques da edição de 2026 da Premiação Outliers InfoMoney . A gestora conquistou dois troféus na categoria Melhor Fundo Multimercado: 1º lugar, com o Kapitalo K10, e 3º lugar, com o Kapitalo Zeta , e um troféu na categoria Melhor Fundo de Previdência Multimercado, com o 1º lugar para o Kapitalo K10 Prev XP Seg .

A terceira edição da premiação será realizada em 28 de janeiro de 2027 , no Teatro B32, na Faria Lima, em São Paulo (SP). Confira os detalhes da próxima cerimônia .

Diversificar as maneiras de buscar retorno

Uma estratégia macroeconômica pode montar posições a partir da expectativa do gestor para os juros, as moedas ou as bolsas. Já uma operação de arbitragem procura aproveitar diferenças de preços entre ativos. O gestor também pode buscar essas oportunidades em mercados internacionais, ampliando o universo em que atua.

São formas de investir que podem estar sob a classificação de multimercado, embora trabalhem com ideias e modelos diferentes. “O multimercado ele não é um produto. Ele é uma casca legal. Ele simplesmente é a maneira com que você organiza essas estratégias”, afirma Woelz.

Na avaliação dele, quando o investidor associa a categoria apenas ao macro direcional brasileiro, acaba restringindo as alternativas que considera para sua carteira. Por isso, pode deixar de explorar outras estratégias. “É isso que o cliente entende como multimercado e, ao fazer isso, ele se cega para uma quantidade gigantesca de oportunidades”, diz.

A proposta de diversificação envolve, portanto, combinar maneiras diferentes de investir, além de distribuir recursos entre ativos. Uma estratégia baseada na direção esperada para a economia tem uma lógica distinta de outra que procura diferenças de preços. Essa variedade está por trás da expansão da oferta previdenciária discutida pelo gestor.

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Blocos de gestão que podem ser combinados

A Kapitalo organiza o trabalho em 20 blocos separados, os chamados building blocks. A estrutura foi criada para reunir ideias diferentes, em vez de concentrar as decisões em um grupo principal. Os blocos podem ser combinados em uma carteira ou oferecidos individualmente aos clientes.

A gestora está ampliando esse acesso separado. Assim, o investidor pode conhecer cada estratégia por sua própria forma de operar e decidir como ela se encaixa na carteira. Parte dessa experiência de gestão é muito anterior aos produtos que chegam agora ao público.

Woelz cita, por exemplo, uma estratégia de arbitragem em derivativos no mercado brasileiro que a Kapitalo conduzia havia sete anos e transformou em fundo nos últimos meses. Com isso, a casa buscou atender à procura dos clientes por liquidez, controle das oscilações e retorno acima do CDI sem depender de crédito.

Além disso, a arbitragem internacional, que já tinha histórico na casa, passou a receber mais atenção dos investidores. Ao levar esses blocos à previdência, a gestora pretende, portanto, ampliar também nesse mercado o acesso às estratégias que já executa.

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Como adaptar a estratégia aos fundos previdenciários

Para oferecer essa diversidade nos fundos de previdência, é preciso avaliar quanto da estratégia original pode ser reproduzido. Afinal, os regulamentos dos produtos tradicionais e previdenciários são diferentes e, por isso, podem limitar as operações disponíveis para o gestor.

As mudanças nas regras, porém, ampliaram as possibilidades. Ainda assim, a Kapitalo exige que a versão previdenciária reproduza de perto a estratégia original antes de lançar um produto.

“Temos uma preocupação muito grande com Previdência. Ela tem desafios, ela tem um regulamento diferente. Nosso grau de exigência com a aderência entre produtos é tão grande que, antes da nova regulamentação, a gente nunca lançou”, afirma Woelz.

O executivo ressalta que não é possível garantir 100% de correspondência em todos os mandatos. Algumas estratégias permitem uma reprodução mais próxima que outras. Por isso, a adaptação depende da combinação entre a proposta de gestão e o que o regulamento permite executar.

Entre os produtos já disponíveis, o Kapitalo K10 Prev foi eleito o melhor fundo de previdência multimercado no Prêmio Outliers 2026, após conquistar o segundo lugar no ano anterior.

A gestora pretende, porém, ampliar essa oferta. “Agora, o nosso plano é lançar todos os nossos building blocks em Previdência também”, diz Woelz. Além disso, a casa desenvolve produtos específicos para esse mercado, incluindo uma estratégia de crédito ainda sem versão nos seus multimercados.

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Tamanho e prazo também mudam a gestão de fundos

A variedade de produtos envolve outras escolhas além da estratégia. O tamanho do fundo, por exemplo, pode interferir na capacidade de selecionar investimentos. Ao falar de crédito de infraestrutura, Woelz explica por que a Kapitalo decidiu criar um veículo pequeno.

Segundo ele, quando um fundo fica grande demais para as oportunidades disponíveis, o gestor pode acabar comprando o que está sendo emitido, em vez do que gostaria de ter na carteira. A opção da Kapitalo foi combinar menor tamanho com prazos mais curtos e uma seleção mais exigente de crédito.

O objetivo, segundo Woelz, é reduzir as oscilações em períodos de turbulência. A forma de dimensionar o fundo e selecionar os ativos faz parte, assim, do desenho oferecido ao investidor.

IA acelera rotinas e comunicação

Enquanto desenvolve produtos, a gestora usa inteligência artificial para construir ferramentas, executar tarefas repetitivas e produzir relatórios. Woelz também vê aplicações na comunicação, com explicações mais rápidas aos clientes sobre o que a gestão está fazendo.

“A gente aumentou muito a capacidade de produção de todas as equipes”, afirma. No compliance, a tecnologia ajuda a verificar, com mais detalhe, se as áreas estão operando de acordo com as regras dos países em que atuam.

Na tomada de decisão e no julgamento dos investimentos, porém, o uso ainda é muito pequeno, segundo o gestor. O avanço mais rápido tem ocorrido nos processos que dão suporte às equipes.

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