“O Brasil funciona por acordos e prevê-los é difícil. Existe uma necessidade de conhecer os personagens, sem fazer juízo de calor e do porquê tomam determinada decisão. O investidor que entende isso ganha muito dinheiro. Não é à toa que o maior parque industrial alemão fora da Alemanha é São Paulo. Que o maior parque japonês fora do Japão é São Paulo. Que o maior parque sueco fora da Suécia é São Paulo”, disse.
Para o CEO, “aquele que entende que não é o macro que vai ditar o seu sucesso” é quem conseguirá navegar melhor pela polarização política.
Aragão acredita que os tempos recentes mostram “uma contaminação da opinião pessoal para a institucional” nas empresas. “Alimentadas pela rede social, as pessoas acreditam sempre em um cataclisma ou em El Dorado.”
“A política foi prejudicada pelo avanço em outras áreas, antes pra ver um filme tinha que se programar, esperar um táxi? Hoje tem Uber. Tinha que ir à um restaurante? Hoje pede comida. Políticos se adaptaram a essa realidade, a política de intenções está mais priorizada do que a de realizações, porque as burocracias continuam existindo”, disse.
“Agora, a justificativa é de que o político faria se tivesse condições ideais, é uma realidade paralela construída no que gostaria que fosse e não no que é. Tem empresários que aceitam o fracasso na empresa porque estão imbuídos por essa justificativa. A política começa a se funcionar em linhas cinzas e isso é transferido para dentro das empresas”, completou.
O analista ainda usou como exemplo a derrota de Flávio Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva: “No dia seguinte da derrota do Flávio? Aquilo era, para muita gente, a glória para o Brasil e, também para muita gente, o fim do Brasil. (…) A polarização não é só na política, ela é transferida para a vida real. Ela agrupa o indivíduo em cima do que ele odeia, não o que gosta.”
Thiago de Aragão vê essa situação como problemática, já que “isso destrói capacidade de convergência, que é a principal característica da política e prejudica a tomada de decisão das formas mais profundas possíveis. Pessoas estão com excessos de certezas e falta de dúvidas, Mas o progresso depende das dúvidas”.
Encontro com estudantes de MBA
Thiago de Aragão participou da Conferência MBA Brasil 2026, que chega à quinta edição neste ano. Desta vez, nos dias 6 e 7 de novembro, reunirá em Chicago, nos Estados Unidos, executivos de algumas das maiores empresas do Brasil e do mundo para discutir os rumos e as perspectivas de negócios dos principais setores da economia e do empreendedorismo brasileiros.
*A repórter viajou a convite da MBA Brasil
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