Para receber a tração nas quatro rodas sem usar cardã, o utilitário adota a suspensão traseira multilink da caminhonete. A mudança substitui o eixo de torção para abrir espaço físico ao motor elétrico instalado entre as rodas de trás. Esse arranjo herda a arquitetura aplicada no Dacia Bigster europeu, porém adaptada à realidade da América do Sul. Enquanto a picape Niagara será importada da Argentina, o SUV nacional inaugurará a tecnologia na fábrica paranaense.
Quanto custa a bateria de um carro híbrido e quando deve ser trocada?
Como funciona o conjunto mecânico híbrido 4×4 do Renault Boreal?
O conjunto mecânico MHEV do Renault Boreal combina o motor quatro cilindros 1.3 turbo de 160 cv a dois dispositivos elétricos de 48V. Um motor-gerador dianteiro acoplado ao motor 1.3 garante as partidas e o auxilia em baixas rotações, enquanto um motor elétrico traseiro independente de 31 cv e 8,8 kgfm traciona as rodas de trás sem ligação física por cardã, sendo alimentado por uma bateria de íons de lítio de 0,84 kWh.
<span class="hidden">–</span> Fernando Pires/Quatro Rodas
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Essa solução resolve uma limitação de engenharia do câmbio automatizado de dupla embreagem e seis marchas DW23, o mesmo do Kardian, que teve seu limite de torque ampliado de 25,5 para 27,5 kgfm no Boreal e na Niagara. Instalar a tração elétrica no eixo traseiro eleva a capacidade de tração sem sobrecarregar as embreagens. Nas desacelerações, o propulsor traseiro atua na regeneração de energia cinética para recarregar o acumulador.
Por que o motor elétrico traseiro usa câmbio de duas marchas?
O sistema Dual Speed 48V, desenvolvido pela fornecedora francesa Valeo para o eixo traseiro, emprega uma transmissão própria de duas marchas para conciliar eficiência rodoviária e força em trilhas. A primeira relação atua como uma caixa reduzida capaz de multiplicar o torque nas rodas traseiras para o equivalente a 183 kgfm, enquanto a segunda marcha alonga a relação para manter a tração integral ativa em velocidades de até 140 km/h.
Sistema Dual Speed 48V da Valeo Valeo/Divulgação
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Além das duas relações de trabalho, o conjunto traz um modo neutro que desacopla o motor elétrico das rodas traseiras quando o 4×4 não é exigido, eliminando perdas por arrasto mecânico. Já a caixa de dupla embreagem permite desconectar o motor 1.3 turbo em manobras ou tráfego lento para que o SUV rode apenas com eletricidade por uma pequena distância. Segundo dados da Dacia e da Valeo, o utilitário circula até 60% do tempo urbano em modo elétrico e reduz o consumo rodoviário em até 7%.
Para gerenciar a entrega de força nos dois eixos independentes, o motorista dispõe de um seletor no console com seis modos de condução: Auto, Eco, Neve, Lama/Areia, Bloqueio eletrônico da tração integral e Controle de Descida de Colinas. O software calibra a resposta elétrica conforme o piso e ainda utiliza o torque traseiro para corrigir a trajetória da carroceria em curvas, dispensando caixas de transferência pesadas que roubam espaço da cabine.
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Qual é a diferença para a picape Niagara e de onde vem o investimento?
A picape Renault Niagara estreará seu conjunto mecânico híbrido em novembro de 2027, alguns meses após o Boreal, mas com uma divisão de propostas técnicas para o trabalho e o lazer. Fabricada na Argentina, a caminhonete terá duas versões: uma configuração 4×4 tradicional com cardã, projetada para suportar uso severo fora de estrada e carga que será lançada na próxima semana, e outra opção sem cardã que prioriza a redução do consumo de combustível.
Câmbio DW23 é o novo padrão da Renault no mundo, mas seu torque é limitado Magna/Divulgação
No Brasil, a viabilização do SUV eletrificado conta com um financiamento de R$ 181,8 milhões aprovado pelo BNDES por meio do programa Mais Inovação, com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). A verba destinada ao complexo paranaense integra o ciclo de investimentos de R$ 5,8 bilhões da Renault Geely do Brasil até 2027, que também prevê a montagem local do hatch elétrico Geely EX2 e novos utilitários sobre a plataforma chinesa GEA.

