“Estamos batendo no uso do WhatsApp pelo Bolsonaro. Mas o PT também tinha o WhatsApp à disposição. Então por que não usou?” , questionou Lula em 6 de novembro de 2018. Jair Bolsonaro venceu o candidato do PT, Fernando Haddad , e foi eleito presidente do Brasil.

O diálogo está no livro Banho de Sol – os 580 dias de Lula na prisão , lançado em 2026 pela Editora WMF Martins Fontes. O Poder360 adquiriu um exemplar em uma livraria de São Paulo.

Dois dias antes, em 1º de novembro, o presidente já havia discutido o assunto com Gleisi Hoffmann e o ex-ministro Aloizio Mercadante. Na ocasião, a senadora reconheceu que o partido havia sido superado na disputa digital.

“ Levamos uma surra nesse campo, a equipe do Bolsonaro usou muita fake news contra nós, e o povo acreditou. E a verdade é que o PT não domina bem esta área” , disse Gleisi, segundo o relato de Chastalo.

Lula afirmou que a campanha havia deixado o partido fragilizado e defendeu a contratação de profissionais especializados para cuidar da comunicação.

“O Brasil precisa do PT neste momento. E nós do PT precisamos de um cara para cuidar desta questão da comunicação” , afirmou Lula à Gleisi, segundo o livro.

Banho de Sol – os 580 dias de Lula na prisão foi escrito por Jorge Chastalo Filho, agente da Polícia Federal responsável pela carceragem da corporação em Curitiba (PR) durante a detenção do petista. O livro tem 574 páginas, traz prefácio do jornalista Juca Kfouri e reúne registros feitos pelo autor de abril de 2018 a novembro de 2019.

Lula foi preso em 7 de abril de 2018, depois de ser condenado no processo do tríplex do Guarujá (SP) durante a Operação Lava Jato. A condenação foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, e o Supremo Tribunal Federal havia rejeitado um pedido de habeas corpus que buscava impedir a execução da pena depois da condenação em 2ª instância.

O petista permaneceu na Superintendência da PF em Curitiba por 580 dias, até deixar a prisão em 8 de novembro de 2019. A soltura foi feita depois de o STF mudar o entendimento sobre a execução da pena e decidir que a prisão só poderia ser feita após o trânsito em julgado da condenação, e não mais depois de decisão em 2ª instância.

Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações de Lula relacionadas à Operação Lava Jato. A Corte reconheceu que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os processos e também declarou a suspeição do então juiz Sergio Moro, por falta de imparcialidade na condução de uma das ações. A decisão restabeleceu os direitos políticos do petista e permitiu que ele voltasse a disputar eleições.

No diário, Chastalo relata a rotina do presidente, as visitas recebidas, conversas sobre política e momentos de isolamento durante o período na carceragem. Na introdução, o autor afirma que os registros representam sua percepção dos acontecimentos e reconhece que algumas conversas foram anotadas horas ou dias depois de terem ocorrido. Por isso, traz a possibilidade de imprecisões na reprodução das falas.

O diagnóstico feito por Lula em 2018 ganhou novo significado na campanha presidencial de 2026. Depois de terminar o 1º turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL), o presidente conseguiu reverter a desvantagem e venceu a disputa em 25 de outubro. Uma das iniciativas de mobilização da campanha foi o Exército do Lula , canal no WhatsApp coordenado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).

A ferramenta terminou a campanha com mais de . A estratégia estimulava os apoiadores a compartilhar vídeos, produzir memes e distribuir conteúdos favoráveis ao petista. O canal também buscava mobilizar eleitores que já apoiavam Lula, mas poderiam deixar de comparecer às urnas no 2º turno.