Poucos dias antes de defender o amigo, o jurado comparou a sobremesa de uma participante do MasterChef Profissionais a um tijolo. A proximidade entre os episódios coloca em discussão o limite entre apontar uma falha culinária e recorrer a uma comparação capaz de constranger quem preparou o prato.

Crítica ao restaurante de Fogaça motivou manifestação de Jacquin

A avaliação da Folha, publicada em 5 de novembro e assinada por Priscila Pastre, apontou problemas nos pratos servidos pelo Sal Gastronomia, em São Paulo. Uma das descrições mais duras envolveu o steak tartare, cuja aparência foi comparada à de comida de gato em lata.

O texto também relacionou a expectativa em torno do restaurante à projeção de Fogaça na televisão. Conhecido pelas cobranças aos participantes do MasterChef, o cozinheiro passou a ocupar a outra posição nessa avaliação: a de profissional cujo trabalho é submetido ao julgamento público.

Jacquin reagiu à maneira como a experiência foi descrita. Segundo o Splash, do UOL, o francês reconheceu a importância da crítica gastronômica, mas considerou humilhante a comparação e defendeu responsabilidade na escolha das palavras. Fogaça curtiu e compartilhou o vídeo de apoio.

O ponto levantado por Jacquin permite separar duas discussões. Uma envolve a qualidade dos pratos servidos pelo restaurante; a outra, a linguagem empregada para comunicar uma avaliação negativa. É nessa segunda questão que a atuação do francês na televisão oferece um contraponto.

A Folha fez duras criticas a comida do Restaurante do Fogaça e o Érick Jacquin achou que foram duros demais e deveriam ser mais delicados e não dizer que o aspecto do prato parecia saido da latinha de comida de gato.

Logo ele, que junto com o Fogaça, é um cavalo e estupido com… pic.twitter.com/9G9PeB757v

— Descharth (@Descharth) November 6, 2026

Internautas repercutem a fala de Jacquin sobre a crítica recebida por restaurante de Fogaça.

No MasterChef, sobremesa foi comparada a tijolo

No episódio do MasterChef Profissionais exibido em 3 de novembro, Lubyanka apresentou uma releitura de pamonha. A receita reunia bolo de milho com coco, uma camada de açúcar queimado na superfície e creme inglês como acompanhamento.

Durante a avaliação, Fogaça apontou problemas na execução. Segundo reportagem publicada pela própria Band, o jurado considerou o bolo seco e afirmou que o creme precisava de mais fluidez. Eram observações diretamente relacionadas à textura e ao equilíbrio da sobremesa.

Jacquin acrescentou uma comparação ao avaliar o preparo: “Parece que saiu de uma casa de material de construção, um tijolo”. A frase foi destacada pela emissora em sua cobertura do episódio, publicada em 4 de novembro.

A reportagem da Band também registrou o desconforto da participante. Em depoimento após a prova, Lubyanka afirmou que ninguém gosta de receber uma crítica daquela maneira. A reação evidencia que a forma de comunicar o julgamento também teve peso para quem estava sendo avaliado.

Pedido de respeito encontra contraponto nas próprias avaliações

Uma competição culinária e uma crítica de restaurante acontecem em condições diferentes. No MasterChef, os participantes trabalham sob regras e tempo limitado, sabendo que terão seus pratos julgados. Em um estabelecimento comercial, o consumidor paga por uma experiência, que pode ser avaliada publicamente.

Essas diferenças ajudam a compreender cada situação, mas não eliminam a discussão sobre as palavras escolhidas. Tanto na bancada de um programa quanto em uma avaliação jornalística, uma comparação depreciativa pode fazer o público prestar mais atenção ao constrangimento do que ao problema identificado na comida.

Ao defender Fogaça, Jacquin chamou atenção para o impacto que uma crítica pode ter sobre profissionais da gastronomia. O argumento também permite examinar suas próprias intervenções: se o respeito deve orientar a avaliação de um restaurante conhecido, esse cuidado pode igualmente ser aplicado a quem apresenta uma receita diante das câmeras.

O contraste não está no direito de discordar da Folha ou de apoiar um amigo. Está na diferença entre pedir moderação ao avaliar o trabalho de um colega e recorrer, na televisão, a imagens duras para descrever o resultado entregue por um competidor.

A escolha das palavras também faz parte da crítica

Apontar que um bolo está seco, que um creme perdeu a textura ou que um prato apresenta desequilíbrio de sabores oferece informações concretas sobre a execução. Comparações com tijolos ou comida para animais acrescentam outro elemento: uma imagem de efeito que pode se sobrepor à explicação técnica.

Esse recurso ajuda a tornar uma avaliação memorável, mas também amplia a exposição de quem recebe a crítica. No caso do MasterChef, o relato de Lubyanka mostra que a frase não ficou restrita ao julgamento da sobremesa: a participante também sentiu a dureza da maneira como o comentário foi feito.

A defesa de Fogaça, portanto, abre uma discussão que alcança o próprio Jacquin. O respeito reivindicado para o amigo pode servir como referência para todos os profissionais submetidos a avaliações públicas, inclusive aqueles que aguardam o veredicto dos jurados na bancada dos programas culinários.