“Eu tenho a certeza que, no fundo, no fundo, todos desconfiam do resultado da eleição, mas têm medo de falar” , disse. Flávio não apresentou provas de fraude nem evidências de que seus aliados compartilhem dessa suspeita.

A declaração contrasta com as manifestações públicas de integrantes do PL e de políticos próximos ao senador, que reconheceram a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no 2º turno, realizado em 25 de outubro. O petista foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, ante 48,21% de Flávio.

ALIADOS RECONHECERAM RESULTADO

Em 26 de outubro, um dia depois da votação, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reconheceu o resultado das urnas. A manifestação foi enquanto Flávio anunciava medidas judiciais contra a campanha petista e questionava a legitimidade da eleição.

Na 3ª feira (27.out), o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, confirmou ter recebido uma mensagem do aliado dizendo que precisava “ dar um tempo ”. Marinho disse que não mantinha contato com ele desde então e indicou que o senador poderia continuar liderando a oposição mesmo fora do Brasil.

O distanciamento ficou mais evidente em 28 de outubro, quando Flávio divulgou uma carta em que se apresentava inicialmente como “ verdadeiro presidente eleito ”. Uma versão posterior substituiu a expressão por “ líder do Brasil ”. O documento provocou reações entre aliados, que defenderam o reconhecimento do resultado eleitoral e a reorganização da oposição.

Na entrevista a Greenwald, Flávio foi questionado sobre as críticas de aliados, incluindo Marinho, Valdemar e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Afirmou acreditar que eles não expressam publicamente suas verdadeiras opiniões.

“Acho que as pessoas nesse momento não falam exatamente o que elas pensam” , declarou. Segundo o senador, os aliados temeriam sofrer processos judiciais caso manifestassem dúvidas sobre a eleição.

SEM PROVAS DE FRAUDE

Flávio voltou a questionar a votação e a prorrogação do horário eleitoral determinada pelo Supremo Tribunal Federal. Ao ser confrontado por Greenwald sobre provas da alegada fraude, respondeu: “Não tenho” .

O senador disse que não pretende contestar judicialmente a contagem dos votos. A estratégia, segundo ele, será apresentar acusações de suposto abuso de poder político e econômico contra a campanha de Lula.

A vitória do petista foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral, e não foram apresentadas evidências que sustentem as acusações de manipulação do resultado.

Flávio está nos Estados Unidos desde 28 de outubro, depois de deixar o Brasil sem cumprir uma determinação do ministro Alexandre de Moraes para entregar seus passaportes. Afirma que permanecerá no exterior enquanto considerar que corre risco de perseguição judicial.