A relação com o Centrão é determinante para os planos do PL no Congresso. Mesmo com as maiores bancadas da Câmara e do Senado, o partido não reúne sozinho os votos necessários para aprovar, por exemplo, pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal , uma das principais pautas da sigla. Por isso, a legenda precisa negociar com outras legendas para construir maiorias nas duas Casas.

Partidos como Republicanos, PP, União Brasil e Podemos se aproximaram do PL depois da vitória de Flávio no 1º turno. Com a reeleição de Lula, porém, passaram a rever suas alianças. Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), saíram fortalecidos, e Motta começou a receber apoios para sua recondução.

As alegações de fraude levantadas por Flávio também provocaram reações entre partidos do Centrão. União Brasil, MDB e PSDB reconheceram a legitimidade das eleições, enquanto o PDT criticou a saída do senador do Brasil. Em nota, o União Brasil, presidido por Antonio Rueda , classificou a democracia como valor “inegociável” e defendeu o respeito ao resultado das urnas.

Um integrante da cúpula do União Brasil ouvido pelo Poder360 nesta 6ª feira (6.nov.2026) negou que as divergências na disputa pelas presidências da Câmara e do Senado representem um rompimento com o PL. Segundo ele, as siglas mantêm uma relação de respeito e diálogo, apesar das diferenças nas articulações.

O União Brasil mantém apoio às reeleições de Motta e Alcolumbre, mas considera legítima a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN) ao Senado e afirma que respeitará a decisão do PL sobre a Câmara.

DISPUTA NA CÂMARA

A derrota de Flávio levou o PL a rever sua estratégia para a presidência da Câmara. O líder da bancada, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que desde 2025 manifestava interesse em disputar o cargo contra Motta, perdeu o interesse em encabeçar a candidatura.

O partido avalia 2 caminhos: lançar um nome próprio ou apoiar a reeleição de Motta. A 2ª opção enfrenta resistência. Na 3ª feira (3.nov), Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que prefere abrir mão da presidência da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania) a apoiar Motta.

Para Nikolas e outros integrantes do PL, seria contraditório apoiar o presidente da Câmara depois de sua aproximação com Lula e da inclusão de propostas de interesse do governo na pauta. Também há insatisfação com acordos que, segundo congressistas da sigla, não foram cumpridos.

Apesar da resistência, o PL reconhece a força de Motta, que já reúne o apoio de 361 deputados, 104 votos acima dos 257 necessários para vencer a eleição. A legenda mantém o diálogo para preservar espaço nas comissões.

Sóstenes afirmou que o PL reivindicará o comando de 7 comissões , com base na proporcionalidade partidária. Entre os colegiados de interesse estão a CCJ e a CMO (Comissão Mista de Orçamento). O Regimento Interno da Câmara, porém, não garante automaticamente as presidências às maiores bancadas.

Na 5ª feira (5.nov), Cabo Gilberto Silva (PL-PB) disse ao Poder360 que a oposição manterá sua estratégia e defenderá candidaturas próprias.

A decisão do PL será tomada depois de ouvir os deputados eleitos. A bancada se reunirá em 11 de novembro, em Brasília, para definir os próximos passos.

ARTICULAÇÕES NO SENADO

No Senado, o PL aposta no peso de sua bancada, proporcionalmente maior do que na Câmara. Na 4ª feira (4.nov), a sigla oficializou a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN) contra Davi Alcolumbre.

Integrantes do partido demonstram otimismo e afirmam que Marinho reúne apoio de parte dos senadores do PSD, Podemos, PP, Republicanos e União Brasil, além do PL e do Novo. A candidatura, porém, ainda depende de novas negociações.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) surge como alternativa para integrantes da direita que resistem ao nome de Marinho. Há avaliações de que parte dos votos atribuídos ao candidato do PL pode migrar para a congressista.

“Marinho disse que tem mais de 30 votos, mas ele não leva em conta que parte deles, na verdade, vai para a Tereza” , disse um integrante do PP.

Coordenador da campanha presidencial de Flávio, Marinho também enfrenta os reflexos das declarações do senador sobre o resultado eleitoral. A carta em que o filho de Jair Bolsonaro (PL) questionou a vitória de Lula provocou críticas até mesmo do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que desaprovou o documento .

Marinho e Tereza se reuniram na semana passada para discutir a possibilidade de concentrar o apoio da oposição em um único nome. As conversas, porém, terminaram sem acordo.

A cerca de 3 meses das eleições das Mesas Diretoras, o PL ainda não tem apoio suficiente para assegurar o comando de nenhuma das Casas. Apesar de contar com as maiores bancadas, a sigla precisará ampliar suas alianças em um Congresso no qual a vitória de Lula e a reação às declarações de Flávio alteraram as negociações políticas.