“A única coisa que ele tem que saber é que o pobre não pagará a conta. A única coisa que ele tem que saber é que nós não levaremos o povo pobre a nenhum sacrifício” , declarou durante reunião do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), no Ministério de Minas e Energia.

Lula afirmou que o governo tem responsabilidade fiscal e contestou as avaliações de que sua gestão não controla os gastos públicos. “Alguém pode falar que esse governo não tem responsabilidade fiscal?” , questionou. O presidente também defendeu o histórico de sua equipe econômica. “Ninguém nesse país pode falar mais de responsabilidade fiscal do que a minha equipe econômica” , declarou.

Lula comparou a situação das contas públicas no início de seu governo com a atual. Disse que recebeu o país com déficit de 2,8% e que agora encaminha o orçamento com superávit. A declaração, porém, não especifica qual indicador das contas públicas foi usado na comparação: o resultado primário, que desconsidera os gastos com juros da dívida, ou o resultado nominal, que inclui essas despesas.

DÍVIDA E INVESTIMENTOS

Lula defendeu que o endividamento público pode financiar obras e ampliar o patrimônio nacional, desde que haja capacidade de pagamento. “Você pode fazer uma dívida, desde que você possa pagar” , disse. Ele citou ferrovias, estradas, pontes e aeroportos como exemplos de investimentos que justificariam a contratação de empréstimos.

O presidente também mencionou os resultados de seus primeiros mandatos. Disse que o Brasil quitou uma dívida de US$ 30 bilhões, acumulou US$ 270 bilhões em reservas e emprestou US$ 1 bilhão ao FMI (Fundo Monetário Internacional). Lula afirmou que a responsabilidade fiscal precisa ser acompanhada de políticas de inclusão social. Citou o aumento real do salário mínimo e a ampliação da massa salarial como medidas que, segundo ele, contrariaram as previsões de pressão inflacionária. O presidente também lembrou que, entre 2003 e 2010, seu governo registrou superávit primário em todos os anos.

Antes das declarações, Lula reuniu 11 aliados nesta 5ª feira (5.nov.2026), no Palácio da Alvorada, para discutir os rumos da política econômica do governo. Uma das convergências entre os convidados é a avaliação de que o debate sobre as contas públicas não deve se restringir à busca por superávits primários e à contenção de gastos. Eles defendem que também sejam considerados o custo dos juros da dívida e os efeitos da política monetária sobre os investimentos e o crescimento.

A reunião do CNPE foi realizada um dia depois de o Copom (Comitê de Política Monetária) interromper a sequência de cortes da Selic e manter a taxa em 13,75%. A dívida pública já supera 80% do PIB (Produto Interno Bruto), enquanto o mercado financeiro cobra medidas para conter o crescimento das despesas.

GOVERNO PRECISA CRIAR NARRATIVA

Ainda no evento desta 6ª feira (6.nov.2026), Lula cobrou que integrantes do governo divulguem os resultados da gestão e construam uma narrativa própria sobre a situação econômica do país. “Nós temos que criar a nossa narrativa. E nós temos que aprender a divulgar as coisas que nós fazemos” , declarou.

O presidente comparou a dívida brasileira à de países como Estados Unidos, França, Japão e Itália. Disse que o endividamento dessas economias em relação ao PIB seria maior que o brasileiro.

Lula também criticou a cobertura da imprensa sobre o governo. Segundo ele, veículos de comunicação evitam elogiar a gestão para não serem considerados alinhados ao Planalto. “A imprensa, ela acha que se ela fala bem, ele é chapa branca. Então ela tem que ser crítica” , declarou. Em seguida, comparou a cobertura jornalística à atenção dada a problemas pontuais, mesmo diante de realizações mais amplas.